Política

Flávio Bolsonaro e outros candidatos de direita usam foto de Gonet para atacar Lula e STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tornou-se alvo de bolsonaristas nas redes sociais após vir a público fotogradia dele fumando charuto e bebendo uísque ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Investigado por pedidos de dinheiro feito ao ex-banqueiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) citou a foto para criticar o governo Lula (PT).

“Enquanto Lula tira a esperança e a comida da mesa de milhões de brasileiros, seus coautores estão em Londres tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo sofrido”, postou em rede social.

A imagem, registrada em Londres em abril de 2024 e encontrada pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro, aparece dias depois de Gonet negar, em sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), qualquer proximidade com Vorcaro.

A assessoria de imprensa da PGR afirmou que a foto é do evento de 2024, do qual o próprio Gonet afirmou ter participado, com várias outras autoridades. Também disse que “o próprio ministro André Mendonça, do STF, reconheceu que não há nada demais nas menções ao procurador-geral”, em referência a afirmações do magistrado em sessão na terça-feira (15).

Na ocasião, o procurador-geral afirmou ter falado apenas uma vez, “de forma banal”, com o ex-banqueiro e descreveu o único encontro entre os dois como parte de um evento de 2024 com várias autoridades, “brevíssimo e banal”.

O também candidato Romeu Zema (Novo) citou a imagem em publicação nas redes. “Tá explicado o motivo dele ter ido ao STF defender seus amiguinhos”, declarou.

O ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Novo, classificou o episódio como uma contradição em relação à fala de Gonet no STF. “Vazou essa foto após Gonet negar proximidade com Vorcaro”, escreveu, questionando aos seguidores qual seria “a verdadeira relação” entre os dois.

Já deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, reagiu a uma publicação do ministro Gilmar Mendes, que, ainda antes da divulgação da foto, havia saído em defesa do procurador-geral afirmando que Gonet “tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita”. Em tom irônico, Nikolas respondeu: “Faz mais textão, cururu. Tá calado, boca de sacola”.

Em vídeo publicado nas redes, Nikolas foi além e questionou a fala de Gonet na sessão do STF, citando também o contrato entre o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master.

“Quer dizer que aquele cara de sonso, fala-mansa do Gonet, que falou na sessão do STF todo polidinho que não tinha proximidade com o Vorcaro, foi pego fumando charuto com ele?”, disse. “Não é [só] um que tem que cair, não. Tem que cair de penca.”

Apesar de hoje ser alvo de bolsonaristas, Paulo Gonet já foi elogiado por bolsonaristas.

Em 2019, quando Bolsonaro avaliava nomes para chefiar a PGR, Gonet foi levado ao Palácio do Planalto pela deputada Bia Kicis (PL-DF), que exaltou suas credenciais nas redes sociais: “Paulo Gonet é conservador raiz, cristão, sua atuação no STF nos processos da lava jato foi impecável. Ele não tem capivara. E o fato de ter sido sócio de Gilmar Mendes no IDP em nada interferiu em sua atuação profissional”.

Essa avaliação favorável também se apoiava no histórico do procurador. Como integrante da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos entre 1995 e 2002, Gonet votou de forma alinhada a posições consideradas conservadoras, tendo se manifestado contrário, por exemplo, às cotas raciais e à descriminalização do aborto. Ele próprio sempre defendeu que sua atuação na comissão foi estritamente legalista, sem viés ideológico.

Folha de São Paulo

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