Política

Games viram parte da estratégia de candidatos e da crítica de eleitores em 2026

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A gamificação das estratégias de candidatos à Presidência e de eleitores descontentes com a situação política nas eleições de 2026 confirmou a presença política dos games na sociedade brasileira. Foram lançados, apenas neste pleito, ao menos três jogos sobre os fatos políticos do país.

Um deles, feito por um eleitor, critica a crise entre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Outro foi produzido pela equipe do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) e questiona os privilégios do Judiciário.

O terceiro, com criadores não identificados, expõe casos de corrupção vinculados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato ao Palácio do Planalto que concorre ao segundo turno contra Lula (PT).

A estratégia não é inédita, mas ganhou força neste ano e tem a inteligência artificial como mecanismo que catalisou a criação destes games. A ferramenta facilita não apenas a programação dos jogos em código, mas pode ser utilizada também para o design e os gráficos, acelerando o desenvolvimento de sátiras jogáveis.

Em 2010, a primeira grande iniciativa nessa seara foi o “Bolinha de papel no Serra”, que repercute o caso na eleição presidencial da época. O tucano José Serra (PSDB) concorria ao Executivo federal contra Dilma Rousseff (PT), e foi atingido na cabeça por uma bola de papel em evento no Rio de Janeiro marcado por confronto entre militantes.

O caso ganhou destaque naquela campanha eleitoral porque Serra chegou a cancelar eventos em seguida e foi ao hospital realizar exames. Lula, então presidente, afirmava que o candidato encenou ser atingido. Imagens de câmera mostram que um objeto descrito por peritos como um rolo de fita crepe também atingiu Serra, o que justificaria o mal-estar do tucano.

Ele foi publicado na internet, e apesar de ainda ter link disponível, não pode mais ser acessado após a Adobe descontinuar o Adobe Flash Player, mecanismo que reproduzia estes games. Bem mais rudimentar, o jogo insere o político no cenário do Jornal Nacional, da TV Globo, e os jogadores devem jogar bolinhas em Serra, enquanto ele se esconde atrás da bancada do telejornal.

Cerca de 16 anos depois, novos formatos apareceram e viralizaram na internet. O primeiro, criado pelo especialista em IA Felipe Pacheco, se chama “Supremo Tribunal Fighter”, em referência ao clássico “Street Fighter”.

Fácil de jogar, o jogador precisa escolher entre os atuais dez ministros da Suprema Corte brasileira (Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux) para lutar em cenários do poder, como a praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional —em condições normais e durante o 8 de Janeiro—, o plenário do STF e o Tayayá Aqua Resort, do qual Toffoli era sócio da empresa que controlava.

O jogo é em 2D e tem comandos simples. Além de andar, é possível dar soco, chute, usar um poder e usar um golpe especial chamado “Supremo”. Usuários do X (ex-Twitter) repercutiram o game e compartilharam os personagens escolhidos. Moraes, Cármen Lúcia e Dino foram amplamente citados.

Ainda na seara da crise dos membros do Judiciário, a campanha de Zema criou o “Corrida Chega de Intocáveis”, inspirado em “Mario Kart”, da Nintendo. Ele reúne personagens como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Lula, os magistrados do STF e o próprio Zema.

O jogo foi removido do ar após a derrota do presidenciável no primeiro turno. Cheio de referências ao Master, podia ser jogado entre amigos e continha armadilhas com frases de efeito de políticos e ministros.

Por fim, Flávio Bolsonaro virou protagonista em “Super Flávio World”, inspirado em “Super Mario World”, também da Nintendo. “Flavinho” passa por fases sobre o esquema de “rachadinha” na Assembleia, a compra de uma mansão de R$ 6 milhões e supostos elos com milicianos.

Nos cenários, o senador deve ficar invisível, pular funcionários e, assumindo o papel do Fabrício Queiroz, recolher salários de assessores.

Diferentemente das bolinhas em Serra, os games políticos de agora são bem produzidos, tanto em 2D quanto em 3D. Felipe Pacheco contou, em post no Instagram, que toda a produção visual e de código foi feita com IA, com prompts enviados com referências e pedindo o desenvolvimento em formato de jogo de luta.

Todos os títulos mostram como a sátira e a crítica se somam à interação e levam a uma experiência mais imersiva, capaz de viralizar nas redes. Também provam que os jogos não estão deslocados da sociedade, tornando-se parte de um movimento cultural e também político.


Play

dica de game, novo ou antigo, para você testar

‘The Blood of Dawnwalker’

(PC, PS5 e Xbox Series X|S)

Com influência de “The Witcher 3” e feito por ex-integrantes da CD Projekt Red, o jogo é um RPG de ação em mundo aberto e cria uma Europa medieval devastada pela pandemia de Peste Negra e dominada por vampiros. Coen, humano de dia e vampiro à noite, precisa salvar a própria família, sequestrada para a realização de um ritual, em até 30 dias, contados a partir da realização de missões e da tomada de decisões. A dinâmica é muito interessante e obriga o jogador a definir prioridades e saber usar bem os poderes do personagem nos períodos. Requer muita estratégia, é cativante e é uma boa surpresa entre os lançamentos deste ano.


Update

novidades, lançamentos, negócios e o que mais importa

‘GTA 6’ pode ter cenas explícitas de sexo

“GTA 6” pode ser o primeiro jogo da série a exibir cenas de sexo de forma mais direta. Páginas do título nas lojas digitais da Austrália e da Nova Zelândia mencionam cenas sexuais explícitas na classificação indicativa. Ainda não se sabe o grau de explicitude, apesar de a Rockstar já abordar sexo em outros jogos da franquia. Geralmente, o formato costuma ser indireto ou em segundo plano.

Steam no Linux e processadores ARM

A Valve confirmou que o Steam para Linux ainda não oferece suporte oficial a computadores com processadores ARM de terceiros. O cliente pode funcionar nesses equipamentos, mas por conta e risco do usuário. A exceção é o Steam Frame, headset da própria Valve com chip ARM e suporte ao SteamOS. A arquitetura vem ganhando espaço, mas segue fora dos requisitos oficiais do Steam no Linux.

O futuro dos jogos em disco

Shawn Layden, ex-chefe dos estúdios PlayStation, criticou a perspectiva de abandono dos discos físicos. Para ele, a mudança enfraquece a ideia de propriedade, já que o consumidor passa a comprar uma licença de acesso que não pode revender ou transferir. Layden também afirma que, mesmo minoritário, o público que compra mídia física é estratégico e tende a ser mais fiel à marca.

Steam pode superar US$ 20 bilhões

O Steam deve superar US$ 20 bilhões (R$ 99,6 bilhões) em receitas em 2026 pela primeira vez, segundo projeção da Alinea Analytics. A plataforma acumulou US$ 16,5 bilhões (R$ 82,2 bilhões) até setembro e faturou US$ 1,7 bilhão (R$ 8,5 bilhões) naquele mês, alta de 13% em um ano. A estimativa é sustentada pelo desempenho de lançamentos recentes e pela força das promoções, mesmo sem “GTA 6” no PC neste ano.

PlayStation de Lego pode virar videogame

Um acessório em desenvolvimento promete transformar o PlayStation de Lego em um videogame funcional. O BrickStation usa um Raspberry Pi instalado dentro do modelo para emular jogos do PS1, com saída HDMI e suporte a controles sem fio. O projeto inclui até um leitor de discos cenográfico com vibração para simular o console original e prevê financiamento coletivo pelo Kickstarter.

Red Bull Wings Cup 2026 chega ao Brasil

O Red Bull Wings Cup 2026 chegou ao Brasil com disputas de “EA Sports FC 27” em duas frentes: uma liga aberta online, no PS5, e outra universitária, com etapas em mais de 200 instituições. Os oito melhores de cada modalidade avançam à final nacional, em 31 de outubro, em Curitiba. O campeão representará o Brasil na final mundial, em janeiro de 2027, nos Estados Unidos.


Download

games que serão lançados nos próximos dias e promoções que valem a pena

5.out

“Aion 2” (PC)

6.out

“Gears of War: E-Day” (PC e Xbox Series X|S)

“Star Wars: Galactic Racer” (PC, PS5 e Xbox Series X|S)

8.out

“Clive Barker’s Hellraiser: Revival” (Nintendo Switch 2, PC, PS5 e Xbox Series X|S)

“Silver Pines” (Nintendo Switch, Switch 2, PC, PS5 e Xbox Series X|S)

“Forever Ago” (Nintendo Switch 2, PC, PS5 e Xbox Series X|S)

“Order of the Sinking Star” (Nintendo Switch 2, PC e PS5)

“Kingdom Hearts Collection [I ~ III]” (Nintendo Switch 2, PS5 e Xbox Series X|S)

9.out

“Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen” (Nintendo Switch 2, PC, PS5 e Xbox Series X|S)

“Paperhead” (PC, PS5 e Xbox Series X|S)

Folha de São Paulo

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