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Gigante Alemanha encara menor país da história das Copas para apagar vexames

Eliminada ainda na fase de grupos nas duas últimas Copas do Mundo após o título de 2014, a Alemanha inicia neste domingo (14) sua campanha contra Curaçao, estreante no torneio e menor país da história a alcançar uma vaga no Mundial.

A bola rola às 14h no NRG Stadium, em Houston, pela primeira rodada do Grupo E.

A eliminação da Alemanha na fase de grupos em 2018, com o campeão mundial Joachim Löw, foi seguida pela repetição do resultado no Qatar, quatro anos depois, com Hansi Flick, abrindo um período incomum para uma das seleções mais vitoriosas do futebol.

Antes da eliminação na Rússia, a Alemanha não caía na fase de grupos desde 1938. De 1954, no primeiro título, até 2014, na última conquista, a seleção alemã disputou oito finais do torneio.

A edição de 2026 marca a primeira Copa sob o comando de Julian Nagelsmann. Hoje com 38 anos, ele se tornou o técnico mais jovem da história da Alemanha em Mundiais e recebeu a missão de recolocar a equipe entre as protagonistas do torneio.

Entre os remanescentes do título de 2014 está Manuel Neuer. Aos 40 anos, o goleiro retorna à Copa após voltar atrás na decisão de encerrar sua trajetória pela seleção e será o titular da equipe, conforme anunciado por Nagelsmann, em detrimento a Oliver Baumann.

Desde a eliminação no Qatar, a Alemanha acelerou um processo de renovação. A edição de 2026 é o primeiro grande teste desse novo ciclo, sob os talentos de Jamal Musiala, presente no elenco do Qatar, e Florian Wirtz, ambos de 23 anos. Além de Neuer, o elenco conta com a experiência de Joshua Kimmich e de Antonio Rüdiger.

Do outro lado estará uma seleção que disputa sua primeira Copa do Mundo. Com 156 mil habitantes, Curaçao tornou-se a menor nação da história, em população e território, a garantir classificação para o torneio —o recorde pertencia à Islândia, com 200 mil habitantes a mais.

A ilha caribenha, localizada ao norte da Venezuela, é mais conhecida pelo turismo e pelo beisebol, principal esporte local. O futebol é disputado em ligas amadoras e esteve longe das prioridades esportivas do país durante décadas.

A vaga foi conquistada por uma equipe montada majoritariamente fora da ilha. Curaçao apostou em jogadores com pais ou avós nascidos no país e formados no futebol holandês. A estratégia tornou-se a base da campanha que levou a seleção ao Mundial.

A seleção existe apenas desde 2011, após a dissolução das Antilhas Holandesas. A ligação histórica com a Holanda ajuda a explicar a composição do elenco e a própria ascensão recente do futebol local. Curaçao ainda pertence ao Reino dos Países Baixos e seus habitantes possuem passaporte holandês.

Isso aparece de forma clara na convocação. Dos 26 jogadores chamados para a Copa, 25 nasceram em território holandês. O único atleta nascido em Curaçao é o atacante Tahith Chong, revelado pelo Manchester United e atualmente no Sheffield United, ambos da Inglaterra.

A influência holandesa também aparece na comissão técnica. Aos 78 anos e oito meses, Dick Advocaat será o treinador mais velho da história das Copas —Hugo Broos (74 anos e dois meses), da África do Sul, e Miroslav Koubek (74 anos e quatro meses), da República Tcheca, tiveram o recorde brevemente nesta edição do torneio.

Ex-comandante da seleção da Holanda e com passagens por clubes como PSV, Rangers, Zenit e Fenerbahçe, Advocaat assumiu Curaçao durante o ciclo classificatório. Em fevereiro deste ano, deixou o cargo por motivos familiares relacionados à saúde da filha.

O também holandês Fred Rutten assumiu a equipe temporariamente, mas deixou a função poucos depois. Às vésperas do Mundial, Advocaat retornou ao comando da seleção que havia conduzido à classificação inédita.

A campanha terminou sem derrotas na fase decisiva das eliminatórias. Na rodada final, Curaçao precisava apenas de um empate diante da Jamaica para garantir a vaga.

Um pênalti marcado para os jamaicanos nos acréscimos chegou a ameaçar a classificação, mas a decisão foi revertida após revisão do VAR, assegurando o resultado que colocou a seleção em sua primeira Copa do Mundo.


Esporte / Folha de São Paulo

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