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Por dentro do maior Centro de Análise de Fibras da América Latina



Antes de chegar às indústrias têxteis da China, Bangladesh, Paquistão ou de qualquer outro grande comprador mundial, o algodão produzido no Matopiba passa por uma etapa decisiva no oeste da Bahia.
É no novo Centro de Análise de Fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), em Luís Eduardo Magalhães (BA), considerado o maior da América Latina, que a qualidade da pluma é medida, certificada e transformada em informação para o mercado.
Inaugurado em uma nova estrutura durante a Bahia Farm Show na segunda-feira (8/6), o centro é responsável por analisar todo o algodão produzido na Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí. Cada fardo colhido nas fazendas gera uma amostra que segue para o laboratório, onde passa por uma série de procedimentos até receber o laudo que atesta suas características.
“O Centro de Análise de Fibras é a chancela da qualidade do nosso algodão, daquilo que a gente faz no campo durante mais de seis meses”, explica a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto.
O processo começa ainda na produção. Segundo o gerente do centro, Sérgio Brentano, tudo tem origem no manejo realizado na lavoura. “Se você fizer um plantio bem feito, já começa a garantir no futuro uma alta produtividade e também qualidade. É uma etapa fundamental em todo o processo do cultivo do algodão”, afirma.
É somente depois desse processo que as amostras chegam ao centro de análise. No laboratório, cada lote é identificado e conferido antes de seguir para a preparação das amostras. Em seguida, o algodão passa por um sistema de condicionamento, que ajusta a umidade da fibra aos padrões exigidos internacionalmente. “Recebemos as amostras em malas lacradas. Depois da conferência, elas passam pelo condicionamento para chegar ao teor correto de umidade antes da análise”, detalha Brentano.
A etapa seguinte acontece nos equipamentos HVI (High Volume Instrument), tecnologia utilizada mundialmente para medir características fundamentais da fibra. São avaliados parâmetros como comprimento, resistência, finura e uniformidade, fatores que influenciam diretamente o desempenho do algodão na fabricação de fios e tecidos. “São características importantes para a indústria têxtil, porque determinam como essa fibra vai se comportar no processo fabril e na produção dos fios”, afirma o gerente.
Muitas dessas características não podem ser identificadas visualmente. Por isso, o laboratório se tornou uma peça essencial na comercialização da pluma. “São características que o nosso olho não vê. As máquinas medem comprimento, pegajosidade, espessura e diversos outros atributos. Esse resultado retorna para o produtor e serve de base para contratos já firmados ou negociações futuras”, explica Zanotto.
A nova estrutura amplia significativamente a capacidade operacional do centro. O laboratório passou de 16 para 19 equipamentos de análise, além de incorporar sistemas automatizados que aceleram o fluxo de trabalho. “Além do aumento da capacidade, toda a movimentação interna das amostras foi automatizada. Isso garante mais agilidade na análise e na devolução dos resultados ao produtor”, afirma a presidente da Abapa.
A rapidez é estratégica para o setor. Os laudos emitidos pelo laboratório funcionam como uma espécie de passaporte comercial do algodão brasileiro, oferecendo segurança para vendedores e compradores, com os certificados sendo emitidos em até 24 horas.
Quando a pluma chega ao mercado internacional, suas características já são conhecidas antes mesmo do embarque. O resultado é mais previsibilidade nas negociações e maior confiança na qualidade do produto brasileiro.
*O jornalista viajou a convite da Bahia Farm Show


Globo Rural

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