Política

Hugo Motta admite ter viagem e hospedagens pagas por Vorcaro

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou ter viajado para Portugal, em 2024, a bordo de um avião particular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar também reconheceu que o empresário custeou parte de sua hospedagem em Lisboa, conforme revelado em documentos da Polícia Federal (PF). A versão de Motta, porém, diverge das conclusões da PF, que aponta o pagamento de mais diárias.

O que aconteceu

  • A Polícia Federal investiga a viagem de Hugo Motta a Portugal, com despesas custeadas por Daniel Vorcaro.
  • Hugo Motta admite que Daniel Vorcaro pagou parte de sua hospedagem, mas a PF aponta que foram mais diárias do que o declarado.
  • A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a relação de políticos com o ex-banqueiro.

Segundo Motta, na época da viagem não havia conhecimento de qualquer investigação ou irregularidade envolvendo Vorcaro. O deputado afirmou que o ex-banqueiro teria arcado apenas com duas diárias no hotel onde ficou hospedado na capital portuguesa.

A versão apresentada pelo presidente da Câmara, no entanto, diverge das conclusões da Polícia Federal. De acordo com relatório tornado público nesta terça-feira, 16, Vorcaro teria pago cinco diárias para Motta, enquanto a fatura encontrada pelos investigadores registra uma cobrança correspondente a sete noites.

Os documentos vieram a público após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo de parte da investigação conduzida pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Vorcaro está preso em Brasília.

Quais as evidências da polícia federal?

No relatório, a Polícia Federal detalha mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e um de seus auxiliares antes da viagem a Lisboa. Em uma das conversas, o então banqueiro solicita a reserva de dois quartos para “Ciro e Hugo”.

Para os investigadores, a referência é ao senador Ciro Nogueira e ao deputado Hugo Motta. A PF afirma que o ex-banqueiro mantinha um “tratamento privilegiado” ao senador, incluindo o pagamento de viagens internacionais, hospedagens e refeições em hotéis de alto padrão.

Dias depois, o auxiliar informa que havia conseguido duas suítes no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon. Em seguida, pede que Vorcaro envie “a lista dos homens”. A resposta do empresário traz uma relação de convidados que inclui os nomes de Ciro Nogueira e Hugo Motta.

Áudio detalha preocupação com a privacidade

Ainda segundo a investigação, Vorcaro encaminhou um áudio ao auxiliar demonstrando preocupação com a privacidade do encontro.

Na gravação, ele pede atenção especial à segurança do local, afirmando que o restaurante e a área em frente precisariam ser reservados para evitar que terceiros acompanhassem quem participava da reunião. O auxiliar responde apenas: “Ok”.

Os investigadores afirmam ter confrontado as conversas com documentos encontrados nos e-mails de Vorcaro. Entre eles estava uma fatura referente a uma viagem realizada a Lisboa em junho de 2024, período que coincide com as mensagens analisadas.

Segundo a PF, o cruzamento das informações reforça a conclusão de que parte dos pagamentos identificados se refere à hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira.

As diárias atribuídas aos parlamentares somaram 3.155,71 euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 18,2 mil pela cotação da época.

O hotel citado na investigação é o Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, empreendimento cinco estrelas localizado em uma das áreas mais valorizadas da capital portuguesa. O edifício reúne elementos da arquitetura Art Déco e do estilo Luís XVI, além de abrigar uma ampla coleção privada de arte portuguesa do século XX.

Defesa de Motta e silêncio de Ciro Nogueira

Após a divulgação do relatório, Hugo Motta declarou defender que as investigações ocorram de forma “isenta e imparcial”.

Até a divulgação dos documentos da Polícia Federal, o senador Ciro Nogueira não havia se manifestado sobre o caso.


IstoÉ

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