Ibovespa salta 7,7% e fecha a 206 mil pontos pela 1ª vez após Flávio liderar 1º turno

O Ibovespa disparou nesta segunda-feira e atingiu novos recordes históricos, embalado pela euforia dos mercados domésticos após o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficar à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 7,7%, a 206.911,89 pontos, recorde histórico de fechamento, após marcar 192.137,63 na mínima e 209.605,70 na máxima, maior nível intradiário já registrado pela bolsa.
Flávio liderou o resultado do primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%, uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos para o senador. O resultado contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final e criou um novo ponto de partida para o mercado.

Logo na madrugada, no exterior, as negociações já indicavam um início forte para a abertura das negociações nacionais. O ETF MSCI Brasil, listado na bolsa de Frankfurt, subia mais de 14%, enquanto as ações de empresas brasileiras listadas no exterior, incluindo o Itaú Unibanco (ITUB4) e a Petrobras (PETR4), se valorizaram.
Em discurso, Flávio afirmou que o resultado das urnas decreta “o fim da era PT” e comprometeu-se com o fim da reeleição caso eleito, afirmando que só precisará de um mandato para resolver os problemas do país.
Já Lula tentou injetar ânimo em seus apoiadores ao prometer que começará de imediato uma nova campanha para virar o resultado na votação decisiva em 25 de outubro.
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No exterior, preocupações com a situação fiscal da França levaram o euro a cair para o menor nível em 17 meses e pressionaram os ativos franceses, embora a redução das apostas em uma alta dos juros pelo Federal Reserve neste mês dê suporte aos mercados de forma mais ampla.
“Esperamos uma forte alta em todos os ativos brasileiros. Resta saber se Flávio Bolsonaro acabará se mostrando mais responsável fiscalmente do que Lula seria em um quarto mandato presidencial.
No entanto, é provável que os mercados lhe concedam o benefício da dúvida, confiando em anúncios rápidos sobre o ajuste fiscal que, se for crível e apoiado por uma configuração institucional tão favorável, prolongará a alta bem além do tradicional período de lua de mel.
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O resultado das disputas para governador, nas quais candidatos de direita e de centro-direita venceram nos maiores Estados já no primeiro turno, incluindo São Paulo e Minas Gerais, reforça ainda mais as implicações favoráveis ao mercado decorrentes da votação”, disse Thierry Larose, gerente de carteira da Vontobel, antes da abertura do mercado.
“Nossa interpretação é que Flávio tem mais chances de favorecer políticas favoráveis às empresas e uma estabilização macroeconômica mais rápida do que Lula”, escreveu Felipe Camargo, economista-chefe global da Oxford Economics.
Nesse contexto, ao longo do pregão, papéis ligados a setores que são favorecidos por juros mais baixos, como varejo e construtoras, tiveram destaque.
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“Acreditamos que o resultado de ontem tenha aumentado significativamente a probabilidade de uma virada nas expectativas e nos resultados fiscais, o que provavelmente proporcionará um amplo suporte aos mercados locais”, escreveram os analistas do UBS, em nota.
O JPMorgan elevou a recomendação das ações brasileiras para “overweight”, revertendo um rebaixamento de agosto, e afirmou que vê um perfil de risco-retorno mais favorável para o mercado após o recente resultado do primeiro turno da eleição presidencial do país.
“Esse potencial de alta é melhor do que o que qualquer outro mercado da América Latina pode oferecer”, escreveram os estrategistas do JPMorgan em uma nota.
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Segundo o analista de investimentos da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo, para os mercados, além do resultado presidencial, será importante acompanhar a formação das alianças e a capacidade de articulação do próximo governo.
“O segundo turno, portanto, tende a ser marcado por elevada volatilidade, com investidores ajustando posições conforme novos dados eleitorais, propostas econômicas e eventuais alianças sejam divulgados”, disse Mollo.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN (PETR4) disparou 8,19% e PETROBRAS ON (PETR3) avançou 6,68%, na esteira da euforia dos papéis de estatais após os resultados do primeiro turno das eleições, se descolando da tendência externa, com o petróleo Brent fechando em queda de 1,89%.
• BTG PACTUAL (BPAC11) saltou 22,52%, sendo uma das maiores altas do Ibovespa, e ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) teve alta de 10,37%, com o setor também pegando carona na euforia pós-eleição. BRADESCO PN (BBDC4) subiu 13,57%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) avançou 11% e SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) teve alta de 2,63%.
• MAGAZINE LUIZA ON (MGLU3) disparou 24,18%, tendo liderado os ganhos do Ibovespa, e ASSAÍ ON (ASAI3) subiu 12,98%, com a perspectiva de juros menores favorecendo os papéis do setor. C&A MODAS ON (CEAB3) subiu 19,71%, figurando entre as principais altas do índice.
• CYRELA ON (CYRE3) e MRV ON (MRVE3) dispararam 18,4% e 11,37%, respectivamente, beneficiadas pelo recuo nas taxas dos DIs.
• SUZANO ON (SUZB3) caiu 5,39%, liderando as perdas do Ibovespa, em meio ao forte recuo do dólar ante o real. A valorização da divisa brasileira também prejudicava EMBRAER ON (EMBJ3), que perdeu 3,31%, sendo o segundo pior desempenho do índice.
• VALE ON (VALE3) recuou 0,97%. No setor, USIMINAS PNA (USIM5) recuou 0,27%, enquanto GERDAU PN (GGBR4) registrou declínio de 1,19%.
(com Reuters)
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