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Icebergs revelam “novos mundos” no fundo do oceano

O derretimento das geleiras da Groenlândia já não é só um alerta distante sobre o clima. Ele está começando a redesenhar o fundo do oceano no Ártico de um jeito que ainda surpreende os cientistas.

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O aumento no número de icebergs, segundo pesquisadores, pode estar mexendo não apenas com o ambiente marinho, mas também com rotas de navegação em uma das regiões mais sensíveis do planeta, informa o Science Alert.

Derretimento das geleiras já faz a Groenlândia liberar quatro vezes mais icebergs do que há 25 anos. Créditos: depositphotos.com / jele76

Icebergs estão aparecendo cada vez mais

O avanço é rápido e difícil de ignorar. Pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) identificaram que as geleiras da Groenlândia estão liberando quatro vezes mais icebergs do que há 25 anos. O estudo, publicado na revista Nature, mostra uma ligação direta entre o aquecimento do planeta, o aumento desses blocos de gelo e mudanças no fundo do mar.

No Estreito de Fram, entre o nordeste da Groenlândia e Svalbard, esse movimento se intensificou de forma clara: a ocorrência de icebergs quadruplicou desde o ano 2000. Além disso, os pesquisadores observaram que os grupos com mais de cinco icebergs estão se tornando mais comuns ao longo das últimas décadas.

O que chama atenção na análise é que não se trata apenas de quantidade, mas de um sistema em transformação.

“Nossos resultados indicam uma conexão direta, impulsionada pelo clima, entre a mudança nas geleiras na superfície, o aumento do tráfego de icebergs e a maior disponibilidade de habitats de fundo rochoso no fundo do mar profundo”, afirmam os pesquisadores.

Fundo do oceano no Ártico está sendo remodelado lentamente pela ação dos icebergs, aponta estudo na Nature. Imagem: ge zheng/Shutterstock

Como os icebergs ajudam a criar novos habitats

Quando se desprendem das geleiras, os icebergs funcionam como verdadeiros “transportadores” naturais. Eles carregam pedras e sedimentos que podem viajar centenas de quilômetros antes de afundar no oceano.

Na prática, isso muda a base da vida no fundo do mar. Áreas que antes eram cobertas apenas por sedimentos finos passam a ter estruturas mais sólidas, criando novos pontos de apoio para organismos marinhos.


Entre os principais efeitos observados pelos pesquisadores estão algumas mudanças bem concretas:

  • Transporte de rochas e sedimentos para águas profundas;
  • Formação de novos habitats em áreas antes dominadas por sedimentos finos;
  • Alteração da estrutura dos ecossistemas marinhos;
  • Expansão de áreas adequadas para organismos que dependem de superfícies rochosas.

Esse processo, segundo os cientistas, acontece de forma lenta e silenciosa, mas com impacto profundo na organização da vida marinha.

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Mudanças climáticas estão acelerando o desprendimento de icebergs e alterando o ecossistema marinho. Imagem: Janelle Lugge – Shutterstock

Impactos vão além da vida marinha

O estudo também destaca um ponto importante: os efeitos não ficam restritos ao ecossistema submarino. O aumento dos icebergs já começa a preocupar quem depende do Ártico para navegação.

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Com a abertura gradual de novas rotas marítimas, a presença de mais blocos de gelo aumenta os riscos para embarcações, exigindo monitoramento constante e planejamento mais cuidadoso das viagens.

O novo estudo mostra que as consequências não se limitam à elevação do nível do mar, mas afetam diretamente os ecossistemas de águas profundas, muito além das geleiras.

Shfaqat Abbas Khan, um dos autores da pesquisa, em nota.

O pesquisador ainda reforça que o derretimento da Groenlândia tem efeitos em cadeia por todo o Ártico. E, aos poucos, fica mais claro para a comunidade científica que essas mudanças não estão restritas à superfície — elas estão remodelando também o que acontece a milhares de metros abaixo do oceano.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.


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