Indústria de pescados e de cacau dizem ser 'prematuro' avaliar tarifas adicionais dos EUA


A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) e a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) receberam com cautela a notícia de tarifas adicionais de de 12,5% sobre produtos de 54 países, incluindo o Brasil, propostas nesta quarta-feira (3/6) pelo governo dos Estados Unidos. As sobretaxas foram sugeridas pelo Representante de Comércio dos EUA (USTR), que divulgou relatório propondo tarifas adicionais com base em uma investigação sobre importações de mercadorias supostamente produzidas com trabalho forçado.
A Abipesca disse em nota que considera prematuro qualquer posicionamento neste momento. A entidade defendeu que o governo brasileiro articule e esclareça junto ao governo americano os critérios técnicos e comerciais que orientarão a definição dos produtos sujeitos às novas tarifas.
“O pescado não figura entre os alvos da investigação da Seção 301. Por isso, esperamos que haja sensibilidade durante o processo de consulta pública e que prevaleça uma análise técnica”, afirmou na nota o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo. “O pescado brasileiro é importante para o povo americano. Nossas produções não concorrem com a americana”, acrescentou.
A Aipc, que representa os processadores de cacau, também avaliou ser “prematuro” fazer avaliações sobre os impactos na cadeia brasileira e disse que “seguirá avaliando os possíveis reflexos para a indústria processadora de cacau, para os produtores rurais e para o comércio bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos”.
A associação destacou que, até o momento, não houve publicação de medida definitiva, o que possibilita ao setor dialogar com o governo federal.
“O alcance das medidas, sua abrangência, eventuais exceções e as condições de implementação dependerão das decisões formalmente adotadas pelas autoridades norte-americanas ao término do processo em curso”, afirmou.
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