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Isabelle Drummond fala sobre o retorno às novelas, a vida longe dos holofotes e os novos planos para a carreira

Boneca que fala, empregada doméstica que vira cantora, moleca que se descobre modelo, americana patricinha, professora de português… Isabelle Drummond (32) já fez de tudo um pouco na TV e, agora, mostra uma nova faceta. De volta às novelas após um hiato de sete anos, a atriz, que desde criança mostra a que veio, reafirma seu talento ao interpretar a Princesinha do Cerrado, a agropaty Naiane, uma das vilãs de Coração Acelerado, da TV Globo. “É legal vir com frescor, uma cabeça diferente e reencontrar o público que sempre me acompanhou. Tem sido muito gostoso”, celebra, em papo exclusivo com a CARAS.

Foto: Manoella Mello

Um desafio

Marcada por algumas mocinhas e heroínas, a artista diz que o retorno não poderia ter sido melhor. Ao receber o convite do diretor artístico Carlos Araújo e de uma das autoras da trama, Izabel de Oliveira, com quem já havia trabalhado outras vezes, ela não pensou duas vezes. “Essa foi uma das razões de eu voltar, eu confio muito neles e sabia que seria legal. E eles me deram a oportunidade de fazer uma coisa nova. Essa é a minha estreia como vilã, mas uma vilã que considero adorável. Para o ator é importante explorar faces do ser humano e essa personagem me permite explorar emoções diferentes, uma personalidade diferente. É um presente”, avalia a estrela, que se diverte com as armações da personagem, que foi criada para ela. E um presentaço, que fez a niteroiense mergulhar de cabeça no universo sertanejo. “Eu já ouvia, mas agora realmente me apaixonei. É uma coisa que não faço mais só para a novela, me ajuda na vida”, diz a ariana, que não só se encantou pelo modão e pela sofrência, mas também por Goiás e sua gastronomia. “É um caso de amor, de verdade, eu nunca pensei. Eu não sei como é que eu não tinha ido antes. Vou querer um pedaço de terra em Goiânia (risos)”, brinca a jovem. Inclusive, toda vez que vai para lá gravar cenas da novela, volta para o Rio de Janeiro com seu farnel. “Volto com isopor com pequi, pamonha, empadão goiano”, revela, aos risos.

Foto: Manoella Mello

Vida discreta

Além de passear pela vilania, Naiane é uma personagem que trabalha como influenciadora digital e quer aparecer a todo custo, grava vídeo fazendo coreografias e é sempre assunto nas páginas de fofoca. O completo oposto de sua intérprete, que apesar de ser famosa desde criança, sempre soube preservar a própria intimidade. “Ela é totalmente extrovertida, eu já sou mais discreta. Eu acho que é natural da minha personalidade. Eu vivo a minha vida de uma maneira muito de verdade. Essa era da internet é uma coisa que eu considero nova, antes a gente tinha eventos de paparazzi, a mídia, o jornalismo sempre estiveram ali, mas agora com redes sociais e tudo mais isso muda. Eu mostro na medida que acho que tem algum valor, até para dialogar com a galera, mostrar as coisas que eu gosto”, explica a atriz, que cresceu em frente às câmeras. “Eu acho que é natural, eu aprendi. Virou uma coisa orgânica para mim. Nunca tive nenhuma crise a esse respeito. Só processos de autoconhecimento, de ter pausas em um momento para me compreender, mas eu incorporei isso, entendi o ofício”, conta.

CRÉDITO: MANOELLA MELLO

Os anos longe da televisão foram importantes para ela pessoalmente e profissionalmente também. “Eu descobri várias coisas nesse período, uma delas é as histórias que eu quero contar também. Descobri um gosto pela produção, de ficar por trás das câmeras. Sempre gostei de ver criações acontecerem, mas agora eu entendi algumas possibilidades que você tem dentro disso. Também no social, tive bastante tempo para me dedicar a isso. Eu acho que foi natural, a pandemia já trouxe esse tempo de reflexão, essa pausa, e a partir disso foram surgindo desejos. Eu continuei trabalhando, mas em outras frentes”, explica a artista, que se aventurou na direção do curta Blossom, que foi exibido no Los Angeles Brazilian Film Festival e no Beverly Hills Film Festival.

Foto: Manoella Mello

Por trás das câmeras

Isabelle também dirigiu o audiovisual e a campanha baseados no livro Agressão: A Escalada da Violência Doméstica no Brasil, escrito pela jornalista Ana Paula Araújo (54). “O projeto da Ana Paula é superlegal, trata-se de histórias reais e ela está ali para dar voz a essas mulheres. E poder contribuir com isso, para mim, é muito engrandecedor. Me sinto grata por fazer parte de um projeto educativo de alguma maneira, para trazer informação que possa libertar muitas mulheres. Uma das funções de um artista, da pessoa no lugar de influência, é dar voz a pessoas que em algum momento da história podem não ter”, reflete, sobre a obra que, assim como a peça Tina – Respeito, que ela estrelou em 2024, se aprofunda em temas atuais e necessários como questões de gênero, sororidade, luta contra o assédio, violência contra a mulher e machismo. “Eu gosto de pensar em histórias femininas porque acho que eu tenho um pouco mais de propriedade. Isso eu digo nos meus projetos de produção, né? Mas claro que não vou contar só histórias a partir de mulheres, podem ter histórias diversas, mas tenho escolhido, não sei se intuitivamente ou intencionalmente. Acho que as coisas foram me levando e eu tenho sido feliz em descobrir histórias de mulheres especiais que podem servir de referência, inspirar mesmo”, afirma.

Foto: Manoella Mello

Próximos projetos

Entre os próximos projetos da artista está estrelar e produzir uma cinebiografia sobre a benemérita e entusiasta Laura Alvim (1902-1984), que dedicou a vida a democratizar a arte; e dirigir e produzir três curtas baseados no livro Ela É Carioca, de Ruy Castro (78). “O primeiro do Ela É Carioca já foi gravado. Os outros estão em desenvolvimento. Cinema, principalmente no Brasil, é um lugar de dedicação, de perseverança, é para os fortes”, observa a artista. Ela ainda deseja criar mais produções para as redes sociais da série de vídeos que idealizou unindo poesia, literatura e arte. Abandonar a atuação não está nos planos, mas Isabelle deseja conciliar essas funções. “Eu me considero uma aprendiz de diretora. Eu quero sempre ter muito pé no chão e humildade em relação a isso e estar aprendendo mesmo. E vou continuar atuando. Com certeza. Eu sou atriz, acho que, antes de tudo, eu faço isso a partir da minha atriz”, garante a estrela, que, mesmo com 26 anos de carreira, mostra que sempre é tempo de viver ou aprender algo. “A gente pode sempre ter alguma coisa nova”, afirma.

Foto: Manoella Mello

Pés do chão

Alçada à fama desde os 6 anos de idade, a ariana revela o que significa sucesso para ela: “Fazer o que eu gosto, no momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo. Ter essa convicção dentro de mim, sabe? Eu estou no tempo de Deus, na paz de Deus e correspondendo às oportunidades. E acho que também estou servindo as pessoas ao meu redor. Fazer o que a gente entende que nasceu para fazer é importante”, afirma a jovem, que nunca se deslumbrou. “Sempre vivi a vida real, tive bons amigos, minha família esteve junto comigo, minha família é excelente, meu pai era maravilhoso, bom conselheiro, minha mãe também continua sendo, minha irmã, a gente é bem próxima. E, hoje, muitas pessoas especiais andam comigo também. Então, acho que eu tive a bênção de ter pessoas bacanas no meu caminho”, finaliza.



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