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Justiça solta policiais suspeitos de extorquir morador em Aparecida de Goiânia

A Justiça revogou a prisão preventiva dos policiais militares Jailson Rodrigues de Almeida e Luís Henrique de Alencar Monteiro, investigados por suspeita de extorsão contra um morador de Aparecida de Goiânia. Em decisão liminar, o magistrado concedeu habeas corpus à defesa, considerou ilegal a prisão em flagrante e determinou a aplicação de medidas cautelares aos dois.

Ao analisar o pedido, o juiz entendeu que não houve situação de flagrante no momento das prisões. Segundo a decisão, os policiais foram identificados posteriormente, por meio de imagens de câmeras de segurança, reconhecimento fotográfico e outras diligências. Para o magistrado, esse trabalho de investigação não caracteriza perseguição imediata, requisito necessário para configurar o flagrante.

O juiz também destacou que não foram encontrados objetos que indicassem a participação dos militares no crime. A decisão, no entanto, ressalta que o reconhecimento da ilegalidade da prisão não significa desconsiderar a gravidade das denúncias. A investigação continua, e a soltura não representa absolvição dos policiais.

Com a decisão, os dois deverão cumprir medidas cautelares. Eles estão proibidos de se aproximar das vítimas a menos de 300 metros ou manter contato com elas. Também tiveram o porte de armas suspenso por 120 dias e deverão permanecer afastados do patrulhamento ostensivo. Além disso, precisam comparecer aos atos judiciais para os quais forem convocados.

“Levar você para dar uma volta”: PMs são presos suspeitos de ameaçar morador e exigir R$ 20 mil em Aparecida (Foto: Reprodução)

Entenda o caso

O caso aconteceu em 20 de outubro, no Jardim dos Girassóis. Segundo o relato da vítima à polícia, os militares abordaram um casal na porta de casa e entraram no imóvel após os moradores admitirem que consumiam maconha no local. Como não encontraram outras drogas, os policiais teriam exigido dinheiro do homem.

Ainda conforme o depoimento, os militares tiveram acesso ao aplicativo bancário da vítima e verificaram que havia R$ 20 mil na conta. O morador relatou que foi ameaçado com uma arma de fogo e pressionado a fazer uma transferência via Pix. Como o banco limitava as operações naquele horário, ele conseguiu enviar R$ 10 mil.

Os policiais também teriam ameaçado levar o casal “para dar uma volta” caso o restante do dinheiro não fosse transferido. Depois de deixarem o imóvel, eles teriam levado os celulares da vítima, e as cobranças continuaram por mensagens enviadas ao telefone da namorada do homem.

Prisão dos policiais

Os dois cabos foram presos na noite de 21 de outubro, após diligências da própria Polícia Militar. Jailson foi localizado por equipes do Grupo de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro) na BR-153, em Goiânia. Já Luís Henrique foi encontrado no Terminal Isidória, onde trabalhava.

Na ocasião, a PM informou que os militares foram encaminhados à Corregedoria e, posteriormente, ao Presídio Militar. As armas institucionais e os celulares dos envolvidos foram apreendidos. A corporação também instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos policiais e informou que eles seriam afastados das atividades operacionais.

Um terceiro homem, suspeito de dirigir o veículo utilizado na abordagem, também foi detido, prestou depoimento e acabou liberado


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