Linha 6-Laranja do Metrô de SP inicia operação com obras inacabadas

Após quase 18 anos desde o anúncio do projeto e o início da construção, a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo inicia a operação para passageiros nesta sexta-feira (3). A abertura ao público ocorre em horário reduzido, com as seis estações liberadas ainda em processo de finalização das obras.
Embora o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenha inaugurado oficialmente o primeiro trecho da linha na quinta-feira (2), informações divulgadas pela própria concessionária Acciona indicam que nenhuma das estações entregues teve suas obras concluídas integralmente.
O que aconteceu
- A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo começou a operar parcialmente nesta sexta-feira (3), após quase 18 anos de projeto.
- As seis estações abertas ao público estão com obras inacabadas, variando entre 85% e 98% de conclusão.
- A antecipação da inauguração, que estava prevista para outubro, foi justificada pelo governo para reduzir custos e gerar receita mais cedo.
Entre os terminais liberados, a estação Água Branca apresenta o estágio mais avançado de execução, com 98% das obras finalizadas. Apesar disso, a integração com a Linha 7-Rubi da CPTM ainda não está disponível. Até que a conexão seja concluída, os passageiros precisarão sair da estação e caminhar pelas ruas para realizar a transferência entre os sistemas.
Na outra ponta do trecho inaugurado, a estação Sesc-Pompeia é a que exibe o menor índice de conclusão, com 85%, mas mesmo assim foi incluída na abertura da operação comercial.
Estações do Metrô de São Paulo ainda estão incompletas?
Segundo a Acciona, empresa responsável pela construção da Linha 6-Laranja, o andamento das obras nas seis estações abertas ao público é o seguinte:
- Água Branca: 98%;
- Santa Marina: 95%;
- Perdizes: 94%;
- João Paulo I: 93%;
- Freguesia do Ó: 90%;
- Sesc-Pompeia: 85%.
Durante a cerimônia de inauguração, Tarcísio de Freitas percorreu o trecho entre as estações Santa Marina e João Paulo I, na Zona Norte da capital paulista.
Diferentemente do que ocorreu em gestões anteriores, quando as inaugurações eram realizadas individualmente em cada estação, o governador participou de uma solenidade única, sediada na estação Santa Marina, onde foram descerradas as placas de todas as unidades entregues nesta etapa.
Mesmo na estação escolhida para o evento, ainda havia serviços pendentes, como acabamentos em parte das paredes e a instalação definitiva da bilheteria. A expectativa é que, pelo menos até outubro, a operação no trecho permaneça gratuita para os usuários.
Na estação João Paulo I, ainda era possível encontrar tapumes em áreas internas, escadas rolantes interditadas e estruturas em fase de instalação. No acesso localizado sobre a Avenida Miguel Conejo, por exemplo, algumas escadas rolantes ainda não haviam sido montadas. Do lado externo, a cobertura do futuro terminal de ônibus permanecia parcialmente instalada.
Por que a Linha 6-Laranja foi inaugurada antes do previsto?
Inicialmente, o governo paulista previa inaugurar o primeiro trecho da Linha 6-Laranja apenas em outubro deste ano. O cronograma, no entanto, foi antecipado após um aditivo contratual de R$ 3,6 bilhões firmado com a Acciona no ano passado, com o objetivo de acelerar as obras.
A entrega também ocorreu às vésperas do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para que candidatos à reeleição participem da inauguração de obras públicas. Durante entrevista coletiva, Tarcísio de Freitas rebateu críticas sobre a antecipação do calendário e afirmou que colocar a linha em funcionamento antes da conclusão total das obras reduz os custos do empreendimento.
“Quanto mais tempo você deixa de operar, maior é a conta, devido à perda de receita. Então o que foi feito? Vamos trabalhar num programa de aceleração para colocar a linha para operar antes, gerar receita antes e diminuir essa conta. É um ganha-ganha. Para a empresa é bom, para o cidadão é bom”, declarou o governador.
A Linha 6-Laranja terá, ao todo, 15 estações quando estiver completamente concluída. A previsão atual é de que todas as obras sejam finalizadas apenas em 2027.
IstoÉ



