Lula avalia plano ‘dois em um’ após novo tarifaço de Trump

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O governo Luiz Inácio Lula da Silva avalia combinar endurecimento público contra Donald Trump com negociações reservadas para tentar conter a nova escalada tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil. A análise foi feita pelo editor de Política de VEJA, José Benedito da Silva, durante participação no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo o comentarista, a ofensiva americana cria impactos econômicos, diplomáticos e eleitorais para o Brasil, ao mesmo tempo em que abre espaço para o governo explorar politicamente a associação entre o clã Bolsonaro e a Casa Branca. “O governo Lula tem dois caminhos nesse caso”, afirmou José Benedito. “Um deles é acirrar o confronto com os Estados Unidos e explorar isso eleitoralmente.”
A nova crise comercial ganhou força após o governo americano anunciar estudos para aplicar tarifas adicionais de 10% a 12,5% sobre produtos brasileiros sob alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. A medida foi divulgada um dia depois de Washington anunciar sobretaxa de 25% sobre produtos do Brasil.
O que motivou a nova ofensiva dos Estados Unidos?
As novas tarifas foram propostas após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio americana. O instrumento permite sanções unilaterais contra países acusados de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos EUA.
Segundo representante comercial americano, a falha de parceiros comerciais no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado “é inaceitável” e cria concorrência desigual para trabalhadores americanos.
O chanceler Mauro Vieira se reuniu em Paris com representantes do governo americano durante encontro da OCDE para discutir as novas medidas. Segundo o Itamaraty, os dois países ainda negociam uma saída diplomática dentro do prazo de trinta dias estabelecido após a recente visita presidencial a Washington.
Como o governo Lula pode reagir?
Na avaliação de José Benedito, o Planalto pode transformar a crise em ativo político interno. O editor destacou que o discurso da soberania nacional e da independência brasileira tende a ganhar força diante da aproximação entre integrantes da família Bolsonaro e Donald Trump. “O governo pode explorar o tema de que a família Bolsonaro é uma família submissa, que come na mão do presidente dos Estados Unidos e que não vai conseguir governar o Brasil de forma independente.”
Segundo ele, levantamentos em redes sociais mostram que cerca de 70% das manifestações sobre o tema criticam Trump, o tarifaço e a interferência americana.
Ainda existe espaço para negociação?
Apesar da escalada de tensão, José Benedito avalia que ainda há margem relevante para negociação diplomática antes da implementação definitiva das medidas. “Trinta dias na diplomacia é muito tempo”, afirmou.
O editor lembrou que várias medidas anunciadas por órgãos da administração americana ainda dependem de aval direto de Trump para entrarem em vigor. “Sem ele dar o canetaço, essas medidas não existem.”
Nesse contexto, o governo brasileiro tentaria combinar retórica pública mais dura com atuação diplomática reservada. “Tenho a impressão que vai sair daí uma solução meio híbrida”, disse José Benedito. “Para o público, o governo vai bater no Trump e tentar conectá-lo à família Bolsonaro para obter ganhos eleitorais. E nos bastidores, vai fazer o que sempre fez e negociar.”
Qual o impacto político da crise?
Além do impacto econômico imediato, o episódio aprofundou tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, excluiu o Brasil da lista de aliados prioritários dos EUA na América Latina, movimento interpretado como sinal político da deterioração da relação bilateral.
Ao mesmo tempo, a crise recoloca o bolsonarismo no centro do debate sobre alinhamento internacional. Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro criticaram o governo Lula pelas tensões comerciais, enquanto aliados do Planalto passaram a associar o endurecimento americano à aproximação política entre integrantes da família Bolsonaro e Donald Trump.
Para José Benedito, o cenário ainda está aberto. “Ainda existe muita conversa para acontecer”, afirmou.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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