Lula critica bets e big techs na ONU e cobra regras – 22/09/2026 – Negócios

São Paulo
Em discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz que o “Brasil não vai tolerar” o modelo de negócios das bets e das big techs. “São empresas que conhecem os riscos de seus produtos e transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos.”
No caso dos sites de apostas, o presidente disse que as empresas transformam vício em lucro, após a sua campanha apresentar no horário eleitoral e nas redes sociais relatos de jogadores endividados na segunda-feira (21). “Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo milhões de lares.”
O modelo adotado pelo governo deve ter inspiração no ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, com regras de proteção a menores para plataformas online), com restrições de publicidade para menores de idade e veto a produtos que simulam apostas, segundo a fala do presidente. “Aprovamos uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.”

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu o debate da Assembleia Geral das Nações Unidas com críticas a bets e big techs
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Ricardo Stuckert/Ricardo Stuckert
Aliados do petista afirmam que ele está determinado a tomar uma atitude enérgica contra essas empresas, com restrição severa ou total a suas atividades.
O presidente vai sacramentar sua decisão sobre quais medidas tomará em relação ao setor após o retorno da Assembleia-Geral. Uma reunião ministerial sobre a pauta deve acontecer entre quarta (23) e quinta (24), segundo assessores.
Lula colocou o combate às plataformas de apostas digitais, conhecidas como bets, no centro da sua campanha à reeleição e quer vetar os cassinos online, que ficaram famosos sob o apelido de “jogo do tigrinho”.
Auxiliares do chefe do governo veem uma medida contra essas empresas como iminente, salvo uma mudança inesperada na disposição do presidente. “Estão promovendo uma corrida tecnológica à revelia da ONU e do painel científico sobre inteligência artificial”, afirmou Lula.
“Um punhado de tecnoligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital sem regras e transparência”, acentuou o presidente. Segundo o discurso, o governo deve trabalhar para garantir a justa remuneração de artistas e criadores de conteúdo audiovisual, um dos temas contestados da proposta de regulação de IA. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais.”
Folha de São Paulo



