Política

Lula critica gestão Bolsonaro e chama ex-ministros da Saúde de “mequetrefes”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (20) ao se referir a “três ministros mequetrefes” que estiveram à frente do Ministério da Saúde. A declaração foi feita durante a cerimônia de sanção do marco legal do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, no Palácio do Planalto, onde o presidente também protagonizou um lapso verbal.

O episódio de tom combativo rapidamente repercutiu entre aliados e opositores, marcando uma retomada do discurso de confronto com a gestão anterior, especialmente em relação à condução da política de saúde durante a pandemia de Covid-19.

O que aconteceu

  • Lula critica ministros da Saúde de Bolsonaro, chamando-os de “mequetrefes”.
  • Presidente comete gafe ao encerrar discurso, confundindo revolução na saúde com educação.
  • Governo Bolsonaro teve quatro ministros da Saúde, não três, como afirmou Lula.

Ao discursar sobre os avanços pretendidos com a nova legislação, Lula elogiou a atuação do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e utilizou a comparação com a gestão passada para destacar o que considera uma mudança na condução da política pública da área.

Em sua fala, o presidente não poupou críticas diretas aos antecessores de Padilha na pasta durante o governo Bolsonaro.

“Eu posso te dizer, Padilha, que, sem fazer comparação, vendo você falar e vendo os três ministros mequetrefes que o governo passado teve, eu vou dizer para você: esse país fez uma revolução…”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Como o presidente se expressou?

Ao concluir sua participação na cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda protagonizou um lapso verbal que gerou comentários e críticas nas redes sociais.

Embora o evento tratasse da política industrial voltada à saúde, Lula afirmou que o país havia promovido uma “revolução na educação”, em uma aparente confusão entre as pautas.

“…esse país fez uma revolução na educação. Muito obrigado, está encerrada esta cerimônia.”, disse o presidente.

O trecho foi rapidamente compartilhado nas redes sociais por parlamentares da oposição, que classificaram a troca entre as áreas de saúde e educação como mais uma gafe do presidente durante eventos oficiais. Deputados ligados ao Partido Liberal (PL) afirmaram que a expressão utilizada para se referir aos ex-ministros da Saúde desrespeita ocupantes de cargos públicos e defenderam que o foco do evento deveria permanecer na sanção da nova política para o setor de saúde.

Afinal, quantos ministros da Saúde teve o governo anterior?

Na crítica, Lula afirmou que o governo anterior contou com “três ministros mequetrefes”. No entanto, a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) teve quatro titulares diferentes à frente do Ministério da Saúde entre 2019 e 2022, o que aponta para uma imprecisão na declaração do atual presidente.

O primeiro a ocupar o cargo foi Luiz Henrique Mandetta, demitido após divergências públicas sobre as medidas de enfrentamento à pandemia de Covid-19. Em seguida, Nelson Teich permaneceu menos de um mês no cargo e pediu demissão em meio às discussões sobre o uso da cloroquina no tratamento da doença.

Depois de Teich, o general Eduardo Pazuello assumiu o ministério durante o período mais crítico da pandemia, que foi marcado pela grave crise de oxigênio em Manaus. O último ministro a chefiar a pasta foi Marcelo Queiroga, responsável pela saúde durante a fase de ampliação da vacinação até o fim do mandato de Bolsonaro.

O que propõe o novo marco legal da saúde?

As declarações do presidente ocorreram durante a sanção do Projeto de Lei nº 2.583/2020, que cria a Estratégia Nacional de Saúde do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (ENSCEIS). Esta legislação busca fortalecer a produção nacional do setor.

A proposta estabelece mecanismos para ampliar a produção nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos médicos e insumos utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo a dependência de fornecedores internacionais e aumentando a autonomia do país em relação a insumos estratégicos.

Entre os principais pontos da nova legislação estão a criação da categoria de Empresas Estratégicas de Saúde, que terão prioridade em linhas de financiamento público e maior agilidade em procedimentos regulatórios, além de políticas voltadas ao fortalecimento da indústria nacional do setor.

Segundo o governo, a expectativa é aumentar a autonomia produtiva do país e reduzir os custos de tratamentos de alta complexidade ao longo dos próximos anos, promovendo um desenvolvimento econômico e tecnológico na área da saúde.

A repercussão política das declarações

Nos bastidores, a fala de Lula foi interpretada por aliados como uma retomada do discurso de comparação entre os governos, especialmente em um momento de intensificação da agenda política. Esse posicionamento é visto como uma estratégia para reforçar os contrastes entre as gestões e consolidar a narrativa do governo atual.

Parlamentares da oposição, por outro lado, reagiram às declarações e criticaram o uso de uma cerimônia institucional, que deveria focar na sanção de uma importante lei, para fazer referências e ataques ao governo anterior. Eles consideram a atitude inadequada para um evento oficial.


IstoÉ

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