Lula diz que pedirá ao TSE abertura de seu sigilo bancário e desafia Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo

O presidente Lula (PT) anunciou nesta segunda-feira (19), durante ato de campanha em Porto Alegre, que apresentará nesta terça-feira (20) ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um pedido de abertura de seu sigilo bancário e desafiou o adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), a fazer o mesmo.
Lula afirmou que pretende incluir os cinco filhos na iniciativa que, segundo ele, visa proteger a própria honra e a de seus familiares de acusações durante a campanha eleitoral.
“Eu sei que, em toda eleição, inventam alguma coisa contra a minha família e resolvi não ficar quieto. Esta é a minha última disputa eleitoral, e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar a minha biografia no lixo”, afirmou.
Durante o discurso, Lula também disse ter ficado “encabulado” de participar do debate presidencial com Flávio Bolsonaro, a quem chamou de “miliciano desqualificado”.
“Eu, com o apoio de vocês, me transformei num presidente muito respeitado no mundo. Eu que já fiz reunião com três presidentes americanos, com dois presidentes chineses, com dois presidentes russos, com três presidentes franceses, com todos os presidentes alemães, ontem eu me senti encabulado de participar de um debate com um miliciano desqualificado”, disse.
“É triste, mas é verdade, um presidente da República ficar do lado de um miliciano ouvindo mentira”, acrescentou.
A declaração foi dada um dia após o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band, no domingo (18). Durante o encontro, marcado por trocas de acusações sobre corrupção, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico, incluindo os de familiares, para que eventuais irregularidades fossem apuradas antes da eleição.
Na ocasião, o petista propôs que os dois candidatos entregassem documentos aos presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE. Flávio afirmou que não tinha nada a esconder, mas não respondeu se aceitava a proposta. Em seguida, acusou Lula, sem apresentar provas, de manter recursos fora de suas contas bancárias.
O embate ocorreu após Flávio cobrar explicações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, citado em investigações sobre irregularidades no INSS. Lula afirmou que o filho havia autorizado o acesso a seus dados bancários e telefônicos pela Polícia Federal.
O presidente, por sua vez, questionou o adversário sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e sobre um pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador para financiar um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro (PL).
Em Porto Alegre, Lula afirmou ter assinado uma procuração autorizando acesso a seus dados bancários e telefônicos, incluindo o de seus familiares. Segundo ele, o documento será entregue à Justiça Eleitoral nesta terça.
“Eu amanhã entregarei a minha procuração para abrir o sigilo dos meus filhos, meu e da minha mulher. E eu quero que ele abra dele, do pai e dos irmãos dele”, disse.
Lula também voltou a questionar a origem do patrimônio de Flávio e mencionou o Banco Master.
“Eu quero saber onde estão os R$ 134 milhões do Banco Master. Eu quero saber onde ele pode ter comprado a casa de R$ 10 milhões à vista com o salário que ele ganha, que é igual ao meu”, afirmou.
Ao pedir votos para o segundo turno, marcado para o próximo domingo (25), Lula fez ainda críticas à direita e afirmou que o Rio Grande do Sul tem uma tradição de resistência à ditadura militar.
“Lamentavelmente teve um tempo em que a direita ganhou espaço nesse estado. E esse estado, pela sua história, pela sua tradição, não pode ter o direito de ser um estado com predominância de direita”, disse.
“Esse estado é um símbolo da resistência brasileira contra a ditadura militar. Portanto, esse estado está dizendo aos fascistas desse país que dia 25 a gente vai votar no 13”, acrescentou.
Folha de São Paulo



