Lula: entre o sonho da vitória no 1º turno e o pesadelo da derrota no 2º

Nas três vezes em que conquistou a Presidência da República, Lula era favorito e tinha uma vantagem confortável sobre os adversários nas pesquisas de intenção de voto. Mesmo assim, não conseguiu liquidar a fatura na rodada inicial e foi obrigado a disputar o segundo turno — contra José Serra em 2002, Geraldo Alckmin em 2006 e Jair Bolsonaro em 2022.
Na campanha deste ano, o petista não tem o favoritismo de outrora. Segundo pesquisas BTG/Nexus, Quaest e Datafolha, ele aparece em situação de empate técnico nas simulações de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o nome mais competitivo da oposição no páreo. Apesar disso, Lula ainda sonha com uma vitória no primeiro turno.
Para atingir esse objetivo, os governistas apostam numa combinação de fatores. Um deles é a propaganda eleitoral na TV. Lula terá um minuto e dez segundos a mais do que Flávio Bolsonaro por bloco, além de um centena a mais de inserções de trinta segundos durante a programação normal dos canais de televisão. Essa vantagem pode ser um diferencial importante na disputa pelos votos da maioria do eleitorado, que só agora começará a acompanhar de fato a campanha.
Desfrutando da máquina pública, o presidente também trabalha para explorar novas medidas de apelo eleitoral. Está em estudo, por exemplo, um reajuste do valor do Bolsa Família, programa que beneficia 50 milhões de brasileiros. O petista também fechou um acordo político com os comandantes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, que pode destravar a tramitação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6 x 1.
Lula e seus aliados também intensificarão a campanha nos quatro maiores colégios eleitorais do país, conclamando o eleitorado a fazer um voto útil para impedir a volta da “extrema direita” ao poder. Em São Paulo, Minas, Rio de Janeiro e Bahia, Flávio Bolsonaro só tem um candidato competitivo a governador, mas seu aliado Tarcísio Gomes de Freitas, conforme os próprios bolsonaristas, não está empenhado na campanha do Zero Um, do qual mantém distância regulamentar.
Hoje, o presidente tem mais armas à disposição do que o rival. Esse arsenal tem peso relevante no primeiro turno, mas pode perder força no segundo turno. Numa rodada final, o voto útil tende a mudar de lado, unindo a direita contra o petista. Algumas projeções indicam que, em eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro tenderia a virar o jogo.
Resumo da ópera: Lula não quer a vitória no primeiro turno apenas por ser otimista, característica que não lhe falta, mas por temer o pesadelo de uma derrota no duelo final com o bolsonarismo.
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