Lula ganha apoio de grupos evangélicos de influência restrita no Rio

Três organizações evangélicas do Rio de Janeiro declararam apoio à reeleição do presidente Lula (PT), em manifesto divulgado nesta segunda-feira (31).
A manifestação se soma a outras iniciativas recentes de aproximação de Lula com setores evangélicos. Seu peso, contudo, deve ser relativizado: esses movimentos, em geral, não estão entre as entidades de maior capilaridade ou influência do segmento evangélico brasileiro —alguns, abertamente progressistas, como a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, também compartilharam cartas simpáticas a Lula.
A atual demonstração pública de afeto pelo petista partiu da Associação das Igrejas e Templos Evangélicos de Médio e Pequeno Portes do Estado do Rio de Janeiro, da Associação de Mulheres Evangélicas com Cristo e Pela Vida e do Movimento Jesus Libertador.
O trio de organizações afirma que as políticas sociais do governo petista estão de acordo com valores cristãos de defesa dos pobres, combate à fome e promoção da justiça social.
O documento cita programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, Pé-de-Meia e SUS como exemplos de políticas que expressariam o “amor ao próximo” pregado pelo Evangelho. Também elogia medidas de reconhecimento institucional da presença evangélica, como a criação do Dia Nacional da Marcha para Jesus e do Dia Nacional do Evangélico.
As entidades dizem ainda identificar no presidente compromisso com a defesa das famílias, a liberdade religiosa, a democracia e a soberania nacional.
Ao final, pedem votos e dizem que vão orar por Lula e pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Quadro evangélico do partido, ela concorrerá ao Senado com o cantor gospel Kleber Lucas de suplente —foi ele quem cantou com a primeira-dama Janja no lançamento da campanha lulista.
Os grupos signatários têm atuação mais circunscrita no campo evangélico. O manifesto não equivale a uma declaração de apoio de pastores de maior projeção nem permite inferir uma mudança de posição desse eleitorado.
A ressalva é relevante porque o campo progressista ocupa posição minoritária entre os evangélicos. Embora valha sempre lembrar que o segmento é heterogêneo e abriga diferentes posições políticas, pesquisas eleitorais têm mostrado maior proximidade de seus fiéis com a direita nas últimas eleições.
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Folha de São Paulo



