Lula inicia horário eleitoral em situação desconfortável, afirma cientista político

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Mesmo depois de despejar mais de 200 bilhões de reais na economia com medidas anunciadas ao longo do primeiro semestre do ano, o presidente Lula chega ao início da propaganda eleitoral obrigatória em rádio e televisão com níveis de desaprovação numericamente superiores aos de aprovação em todas as principais pesquisas com eleitores.
O candidato à reeleição discursa em comícios sobre a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o Desenrola para famílias endividadas e o fim da escala de trabalho 6×1, mas parece não ter conseguido dar resposta satisfatória aos indícios de que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, negociou com empresários acesso a gabinetes do seu governo, tudo em sociedade com a lobista Roberta Luchsinger, envolvida na investigação sobre o desvio bilionário de aposentadorias do INSS. Seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, também é alvo de suspeitas.
Na visão do cientista político Adriano Cerqueira, o petista dependerá muito de uma estratégia bem-sucedida na propaganda eleitoral obrigatória, a partir deste sábado, 29, uma vez que teve todo o primeiro semestre para melhorar seus índices de aprovação com a força da máquina pública e, desta vez — ao contrário da campanha de 2006, quando aproveitou a condição de candidato que disputa sentado na cadeira presidencial para contornar o desgaste com o escândalo do mensalão — , não conseguiu.
“Na última vez que Lula tentou a reeleição e ganhou, ele havia terminado 2005 muito mal, por causa do mensalão, mas o Congresso Nacional entrou de férias na virada do ano, e, enquanto a oposição preparava sua própria agenda eleitoral e via Lula como pato manco, o então presidente teve toda a primeira metade do ano para recuperar sua popularidade. Chegou ao final de agosto liderando as pesquisas, com possibilidade até de ganhar no primeiro turno. Agora, em 2026, Lula não melhorou suas taxas. É mais desaprovado que aprovado. Ele chega à estreia do horário eleitoral em situação desconfortável”, destaca Cerqueira.
O cientista político aposta que o PT usará a propaganda para incensar ações do governo que, na visão lulista, ajudaram a enfrentar o problema da pobreza, tema que ele e o PT sempre priorizam na narrativa política, e argumentar que herdou do governo Bolsonaro um Estado desmontado.
“É obsessão do Lula sempre se referir a Jair Bolsonaro de forma negativa, dizendo que batê-lo em 2022 foi uma questão de defesa da democracia. Ele também vai tentar trabalhar a bandeira da soberania nacional, contra o tarifaço dos Estados Unidos e o isolamento diplomático na América do Sul, apesar de achar que esse tema não vingou como sua campanha esperava”, afirma Cerqueira.
Enquanto Lula, em sua sétima disputa presidencial, já é conhecido por todo o eleitorado brasileiro, Flávio vai investir muito na suavização da própria imagem, como antídoto à rejeição por ser filho de Jair Bolsonaro, na avaliação do cientista político. “O programa do PL vai ser muito centrado em questões da economia, no problema fiscal brasileiro, que se agravou no governo Lula, em quais ferramentas ele propõe para desembaraçar a economia, gerar emprego, aumentar a renda das famílias e diminuir o peso do Estado em cima do bolso do contribuinte”, ressalta.
Apesar da diluição da importância da propaganda em rádio e TV pela ascensão das redes sociais, a produção de peças para o horário eleitoral ainda responde pelas maiores fatias dos gastos das campanhas. Em 2022, a chapa de Lula destinou 37,9 milhões de reais para a M4 Comunicação e Propaganda, depois rebatizada como Nordx Estratégia e Criatividade, que tem entre seus sócios o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, responsável pela campanha daquele ano, e Raul Rabelo, oficialmente contratado como marqueteiro do petista para o projeto de reeleição.
No lado adversário, o marqueteiro Duda Lima, que fez a campanha de Jair Bolsonaro há quatro anos, foi chamado às pressas para comandar a comunicação eleitoral do filho do capitão reformado depois de um primeiro semestre repleto de mídia negativa e desavenças internas no PL que levou a duas trocas na equipe de publicitários responsável pela imagem do candidato.
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