Política

Lula promove ato em Petrolina, município pernambucano onde ele mais perdeu votos nesta eleição

Caravanas de todo o Sertão estão chegando a Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), no Vale do São Francisco, para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Candidato à reeleição, ele participa de um ato político que une as duas cidades e que deve reunir sertanejos de Pernambuco, do norte da Bahia e do sul do Piauí. A concentração tem início às 14 horas, em dois pontos: na Orla 2 de Juazeiro (BA) e, do outro lado da ponte, na avenida Guararapes, em frente à Habib’s, onde foi montada uma estrutura com banheiros químicos e distribuição de água para suportar os 35ºC que faz neste momento em Petrolina.

É recomendado que os ônibus das caravanas sejam estacionados no campus da Univasf (Juazeiro, BA) ou no porto de Petrolina (PE).

Na convocatória para o evento, o presidente da República afirmou que “Pernambuco e Bahia serão os responsáveis pela nossa grande vitória no domingo”. Em Petrolina, Lula recebeu 116,7 mil votos no 1º turno, o que é 3.380 votos a menos que no 1º turno de 2022, deixando a cidade sertaneja no topo da lista de municípios pernambucanos onde o petista mais perdeu votos em quatro anos. Olinda (-1.657), Santa Cruz do Capibaribe (-1.568), Araripina (-1.499), Abreu e Lima (-1.357), Afrânio (-1.284), Garanhuns (-1.191), Belo Jardim (-1.101) e Dormentes (-1.033) foram as outras cidades em que Lula perdeu mais de mil votos no intervalo de quatro anos.

Terceiro maior município de Pernambuco, com 418 mil habitantes e 249 mil eleitores, Petrolina deu 60,2% dos votos (116,7 mil) válidos para Lula (PT) e 63,5 mil votos (32,8%) para Flávio Bolsonaro (PL). Além deles, 13.681 eleitores (7,1%) escolheram outros candidatos; e ainda 9.960 (4,9%) foram às urnas para votar branco ou nulo; além de 45,2 mil que sequer foram votar (18,2% do total de eleitores).

Considerando o total de eleitores aptos em Petrolina, 46,8% votaram em Lula. O município sertanejo recebeu, ao longo de três anos e meio do atual mandato de Lula, R$ 774 milhões em investimentos voluntários do Governo Federal, uma média superior a R$ 195 milhões por ano. A cidade é reduto político da família Coelho, que hegemoniza política e economicamente a região há cerca de 100 anos. Apesar disso, a família Coelho e o prefeito da cidade, ungido pela família, assumiram que apoiam Flávio Bolsonaro (PL). Eles reelegeram o deputado federal Fernando Bezerra Coelho Filho e o estadual Antônio Coelho, ambos do União Brasil. Miguel Coelho foi derrotado na busca por uma cadeira na Câmara Federal.

Um Dino incomoda os Coelhos

Em fevereiro deste ano, a Polícia Federal realizou a Operação Vassalos — autorizada por Flávio Dino, do STF — para investigar possíveis desvios de emendas parlamentares destinadas à prefeitura de Petrolina e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) durante a gestão do ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil), quando seu pai Fernando Bezerra Coelho era Senador e seu irmão Fernando Coelho Filho (União Brasil), reeleito no último domingo (4), já era deputado federal.

Para o ministro Dino, há indícios de desvio de recursos federais, enviados através de emendas parlamentares e termos de execução descentralizadas (TEDs), que estavam sendo destinados à prefeitura e à Codevasf para obras de pavimentação de ruas em Petrolina. O juiz do Supremo estranhou a elevada concentração de recursos para o mesmo tipo de obra, no mesmo município e cuja empresa vencedora das concorrências era também a mesma, supostamente vinculada a familiares dos investigados. Dino autorizou a quebra de sigilo telefônico, rastreamento de linhas utilizadas pelos investigados e a apreensão de dinheiro e bens de alto valor encontrados.




Brasil de Fato

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