Lula usa música de Bad Bunny sobre Porto Rico e EUA em peça de campanha sobre soberania

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição lançou, na quarta-feira (23), uma peça embalada por uma versão em português de “Lo Que Le Pasó a Hawaii” do cantor porto-riquenho Bad Bunny. Segundo a campanha, a equipe do artista autorizou o uso da música. Bad Bunny não se manifestou publicamente sobre o assunto.
A faixa original integra o álbum “Debí Tirar Más Fotos” (2025), vencedor do Grammy de álbum do ano, o primeiro em espanhol a levar a principal categoria da premiação. Na canção, o artista usa a história do Havaí, incorporado como estado dos Estados Unidos em 1959, para falar do risco de Porto Rico perder território e identidade cultural diante da gentrificação e da influência estadunidense.
Na adaptação, a letra transporta o tema para o Brasil, com referências a recursos naturais, território e à defesa da bandeira nacional. Na parte que trabalha com a música de Bad Bunny, a letra diz: “Querem tomar o rio e também a praia. Querem as terras raras, querem que a gente saia. Não, não, não largue a bandeira, não esqueça o que eu vivi. Não quero que façam contigo o que eles fazem por aí”.
Enquanto a música toca, o vídeo exibe imagens de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) com bandeiras dos Estados Unidos e faz referências a ações do governo de Donald Trump contra diversos países. Em contraponto, mostra imagens do histórico de Lula e belezas brasileiras.
A abertura é feita pelo ator Wagner Moura, que relaciona a origem do sobrenome Silva à formação do povo brasileiro. “Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”, diz. “Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’.”
O vídeo termina com uma fala de Lula: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.
Tema central
A soberania nacional tem sido um dos eixos da campanha petista. Na terça-feira (22), em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula condenou interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro e fez críticas aos Estados Unidos, sem citar o país.
Bad Bunny tem histórico de críticas ao governo Trump e à sua política migratória. Em fevereiro, sua apresentação no intervalo do Super Bowl exaltou a cultura latina e a identidade porto-riquenha e incluiu críticas às políticas anti-imigração dos Estados Unidos. Trump classificou o show como “absolutamente terrível” e “uma afronta”.



