Manus negocia com Tencent por US$ 2 bi após venda para Meta ser vetada pela China

A Tencent está em negociações para se tornar a maior acionista da Manus, enquanto investidores correm para reverter a aquisição de US$ 2 bilhões (R$ 10,23 bilhões) da startup de IA pela Meta, após Pequim ordenar que o acordo fosse desfeito.
A maioria dos antigos investidores da Manus —incluindo Tencent, ZhenFund e HSG— assim como a gestão da empresa, estão discutindo apoiar um acordo que reverteria a aquisição da Meta pela mesma avaliação de US$ 2 bilhões, segundo duas pessoas familiarizadas com as negociações.
As discussões continuam em andamento e podem incluir novos investidores, enquanto alguns antigos apoiadores, incluindo a firma norte-americana de capital de risco Benchmark, provavelmente não participarão, disseram as pessoas ouvidas pela reportagem. Os detalhes ainda precisam ser finalizados, já que as conversas estão em curso.
Espera-se que a Tencent compre a maior participação na transação, mas permaneça como acionista minoritária. A Manus continuaria operando de forma independente a partir de Singapura, em vez de ser incorporada aos negócios da Tencent, acrescentaram as fontes.
As ações da Tencent caíram 2% em Hong Kong na quinta-feira (9) após a notícia ser publicada.
A reversão da aquisição da Meta marca uma escalada significativa nos esforços do regime chinês para manter as principais empresas e talentos de IA da China sob controle doméstico, à medida que a competição com os EUA se intensifica.
A China ordenou que a Meta revertesse sua aquisição de US$ 2 bilhões da Manus em abril, citando violações de regras de investimento. Os fundadores da Manus, incluindo Xiao Hong, foram impedidos de deixar o país após serem convocados para uma reunião em Pequim.
A Meta comprou a Manus em dezembro de 2025, meses depois de a empresa ter transferido sua sede e engenheiros principais para Singapura, vinda da China, onde foi originalmente fundada.
Autoridades descreveram a transação como uma tentativa “conspiratória” de esvaziar a base tecnológica da China, conforme reportado anteriormente pelo Financial Times.
A Meta rapidamente incorporou a Manus à sua plataforma, incluindo seus sistemas de publicidade. Agora separou as operações e interrompeu o compartilhamento de dados, segundo pessoas familiarizadas com as medidas, embora uma reversão financeira formal ainda não tenha ocorrido.
Ordenar que o acordo seja desfeito também serve como um aviso a outras empresas de tecnologia chinesas contra o uso de Singapura como ponto de passagem para eventuais vendas a compradores americanos.
Os investidores que apoiam a recompra estão apostando que a Manus pode continuar crescendo de forma independente e eventualmente abrir capital em Hong Kong.
A Manus atingiu uma receita recorrente anual próxima de US$ 500 milhões no início deste ano, um aumento acentuado em relação ao momento da aquisição pela Meta, disseram as fontes. Se conseguiria sustentar esse crescimento fora do ecossistema da Meta é uma dúvida que persiste, alertou uma das pessoas.
Qualquer listagem em Hong Kong provavelmente exigiria que a Manus se reestruturasse para satisfazer os reguladores chineses.
A Tencent, que tem um relacionamento de longa data com a Manus e seu fundador Xiao, está apostando que uma participação maior na Manus poderia ter sinergias com seu próprio avanço em agentes de IA.
“Além dos modelos de base, tornou-se cada vez mais evidente que a IA agêntica representa um caso de uso revolucionário”, afirmou o presidente da Tencent, Martin Lau, em uma teleconferência de resultados com analistas em maio. “Nossa plataforma inerentemente tem muitos benefícios para hospedar agentes de IA”.
A Tencent está testando um agente incorporado no WeChat, aplicativo onipresente usado pelos 1,4 bilhão de habitantes da China para tudo, desde mensagens e redes sociais até transporte por aplicativo e pagamentos.
O medo da China de “vender colheitas jovens” motivou revisão do acordo da Meta com a Manus.
Xiao estava entre os primeiros usuários externos convidados a testar o recurso quando a Tencent o disponibilizou para um pequeno grupo de especialistas para feedback, disseram as pessoas.
Antes da Manus, a startup anterior de Xiao era uma plataforma de gestão de relacionamento com clientes baseada no ecossistema do WeChat.
Tencent, Manus e ZhenFund não responderam aos pedidos de comentário. Meta e HSG se recusaram a comentar.
Folha de São Paulo>



