Meta faz acordo em ação sobre vício em redes sociais; Snapchat segue no processo

A Meta fechou um acordo com uma adolescente que acusou a empresa de projetar o Instagram e o Facebook para causar dependência, o que teria provocado problemas de saúde mental e transtornos alimentares, disseram nesta sexta-feira (30) os advogados da jovem.
O acordo foi firmado depois que a seleção do júri começou, na quarta-feira (28), para um julgamento que deveria avaliar as acusações de duas adolescentes, identificadas como S.J. e K.D.B., contra a Meta e a Snap, controladora do Snapchat. A Meta já havia fechado um acordo com S.J. dias antes do início do julgamento. Com o acerto anunciado nesta sexta com K.D.B., a expectativa é que o processo prossiga apenas contra a Snap.
“Continuamos comprometidos em melhorar a segurança das crianças em aplicativos de redes sociais e em responsabilizar as empresas de tecnologia. Estamos satisfeitos por ter chegado a uma resolução justa neste caso em nome de nossa cliente”, disse Emily Jeffcott, advogada de K.D.B., em comunicado.
Um porta-voz da Meta afirmou que acordos, arquivamentos e julgamentos fazem parte do processo de avaliação de casos desse tipo.
“Continuaremos a nos defender nos tribunais e mantemos nossa posição sobre nosso histórico”, disse o porta-voz, acrescentando que a Meta desenvolve ferramentas de segurança há mais de uma década.
Um representante da Snap não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Este é o segundo julgamento em um tribunal estadual de Los Angeles envolvendo jovens que afirmam ter desenvolvido dependência de redes sociais. Eles acusam Meta, Snap, TikTok e YouTube, da Alphabet, de projetar suas plataformas para estimular o uso compulsivo.
S.J. e K.D.B. já haviam fechado acordos com o TikTok e o YouTube.
O caso foi escolhido entre milhares de ações judiciais pendentes como um processo de referência. Por isso, o veredicto do júri poderia influenciar a forma como as empresas e os autores de outras ações resolverão processos semelhantes.
S.J., uma jovem de 16 anos de Illinois, e K.D.B., de 18 anos e moradora do Mississippi, afirmam que começaram a usar o YouTube aos três anos e as outras plataformas por volta dos nove. Segundo elas, desenvolveram hábitos compulsivos por causa de recursos como a reprodução automática de vídeos e a rolagem infinita de conteúdo.
As empresas negam que suas plataformas tenham sido projetadas para causar dependência entre jovens e afirmam ter adotado medidas para tornar os aplicativos ambientes seguros para que adolescentes possam se expressar.
As empresas de redes sociais enfrentam milhares de ações em tribunais federais e estaduais movidas por indivíduos, distritos escolares, municípios e outras entidades governamentais. Os processos alegam que as companhias buscaram deliberadamente estimular a dependência de crianças em suas plataformas, contribuindo para uma crise de saúde mental entre jovens, marcada por ansiedade, depressão e suicídio.
No primeiro caso levado a julgamento, encerrado em março, um júri de Los Angeles considerou a Meta e o YouTube negligentes e determinou o pagamento de US$ 6 milhões em indenizações a uma jovem.
As duas adolescentes cujos processos foram selecionados em seguida para julgamento também encerraram ou retiraram suas ações contra as empresas.
O primeiro distrito escolar escolhido para um julgamento fechou acordos com todas as companhias envolvidas.
Em agosto, a Meta firmou acordos que podem chegar a US$ 18 bilhões com quase todos os estados e territórios dos Estados Unidos para encerrar ações movidas por procuradores-gerais sobre os danos das plataformas a adolescentes. A empresa também concordou em fazer mudanças no funcionamento do Instagram e do Facebook para esse público.
No início deste mês, um juiz do Novo México determinou que a Meta pagasse uma multa de US$ 25 bilhões, depois que um júri concluiu que a empresa enganou usuários do Facebook sobre a privacidade de seus dados e a maneira como lida com discursos de ódio. A companhia afirmou que vai recorrer da decisão.
Folha de São Paulo>



