Movimentos convocam ato por Lula neste domingo (11) em Goiânia

Movimentos sociais, estudantes e apoiadores da reeleição do presidente Lula (PT) realizam neste domingo (11), às 15h, um ato em Goiânia. A concentração será na Praça Universitária e a caminhada segue até a Praça Cívica, no centro da capital. A programação faz parte da Mobilização Nacional neste segundo turno, que vai definir a Presidência da República no dia 25 de outubro.
Lula disputa o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos no país, contra 45,16% de Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Goiás, Flávio somou 53,60% e Lula, 31,06%. Lula venceu em 28 dos 246 municípios goianos. Na terça-feira (6), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que também concorreu à Presidência e teve 12,33% dos votos no estado, declarou apoio a Flávio em evento em Goiânia.
Mobilização pela virada
O ato de domingo foi definido na quarta-feira (7), quando um grupo de manifestantes se reuniu para uma plenária e logo depois marchou da Praça Universitária até a Praça Cívica. A mobilização foi organizada pelo movimento estudantil das universidades de Goiânia e teve participação de estudantes de outros municípios. No ato, a juventude também levantou a pauta pelo fim da escala 6×1.
Como encaminhamento, a plenária aprovou uma agenda de lutas até o segundo turno. “A gente tirou um calendário de lutas, que serão nas universidades, nos pontos de ônibus, em todos os lugares, para virar voto para o presidente Lula aqui no estado de Goiás, principalmente com foco em todas as universidades, em todas as faculdades do estado, e também dialogando com toda a população”, afirmou Marcos Santos, secretário adjunto da Juventude do PT em Goiás.
O professor da rede estadual Wellington Rocha, que leciona há 30 anos, participou da caminhada. “Estar aqui nesse movimento é o sinal de que a gente ainda acredita nessa virada, de que a gente ainda possa ter um país democrático”, disse a reportagem durante a movimentação da terça-feira.
Camponeses e quilombolas
Na disputa estadual, Daniel Vilela (MDB) foi reeleito governador no primeiro turno, com 59,17% dos votos válidos. Com o resultado, o mesmo grupo político terá governado Goiás por 12 anos até 2030. Para a regional Goiás da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o novo mandato deve aprofundar a pressão sobre as comunidades do campo.
“O novo governo de Goiás deve atuar forte para o avanço de projetos alinhados com elites locais, nacionais e internacionais sobre territórios camponeses, quilombolas e indígenas no estado de Goiás, tendo como base um vasto conjunto de leis, consideradas por especialistas como inconstitucionais, criadas nos governos Caiado”, afirmou o coordenador regional João Marcos. Segundo ele, o que o poder tem chamado de “segurança jurídica” representa, na prática, “supressão de direitos de populações específicas, redução dos mecanismos de fiscalização, controle e participação social e flexibilização de dispositivos para garantia de responsabilidade socioambiental”.
Lula venceu em Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás, municípios do território quilombola Kalunga. Cavalcante concentra 23% dos conflitos no campo registrados pela CPT no estado. Segundo a pastoral, as comunidades da região têm se manifestado “em defesa de um governo que reconhece os direitos da população quilombola, que ampara as famílias, que promove políticas públicas para a região e que percebe a necessidade de preservação do bioma Cerrado”.
A entidade também avalia por que temas como a contaminação por agrotóxicos não pesaram na eleição, e que a segurança pública foi o principal mote da campanha vencedora. “A violência urbana é fácil de se identificar como causa de sofrimento e pede solução. Mas, além disso, é muito mais cômodo para um candidato se alinhar a um discurso de combate a ladrões e traficantes do que dizer que irá enfrentar as contradições do agronegócio, que é uma classe poderosa, que usufrui de recursos públicos e naturais sem garantir a segurança da população”, afirmou.
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