Nesta Copa, torço para as seleções latino-americanas

Nesta Copa do Mundo, além do Brasil, torço para os países da América Latina. E convido os leitores a fazê-lo também. Se o argumento de que somos todos latinos, apesar de a diferença de língua muitas vezes nos afastar dos demais países, não for suficiente, temos outros motivos.
Em primeiro lugar, como escreveu Idelber Avelar, a ideia de um Mundial de futebol foi impulsionada pela América do Sul, a partir do sucesso da seleção uruguaia nos anos que antecederam a primeira edição do torneio, em 1930.
Ao todo, as seleções sul-americanas já trouxeram para o continente dez troféus: Brasil em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, Uruguai em 1930 e 1950 e Argentina em 1978, 1986 e 2022.
Para os que se atêm ao presente, aí vai outro argumento: o futebol brasileiro de hoje se beneficia, e muito, do talento de nossos vizinhos. Então, nada mais justo do que celebrá-los quando defendem suas seleções. Retribuir o que fazem pelos clubes.
No Mundial deste ano, sete seleções, seis delas sul-americanas, têm jogadores que atuam no Campeonato Brasileiro, em um total de 32 atletas. O número de jogadores é recorde, segundo dados do Comitê Olímpico Internacional, ultrapassando a edição de 1974, com 27 convocados do campeonato nacional (22 na equipe brasileira).
Agora, a distribuição está mais pulverizada. Brasil, Uruguai e Paraguai lideram o ranking, cada um com sete jogadores de clubes do Brasileirão.
O Uruguai, que inspirou a criação do Mundial, recebeu a primeira edição e foi o primeiro campeão é um caso à parte, mesmo não tão bem neste ciclo. Quem já foi a Montevidéu e teve a oportunidade de conhecer o estádio Centenário, palco pioneiro do Mundial, sabe que ali não está um estádio qualquer, sente o peso da história.
Na Celeste, não é preciso ser flamenguista para aplaudir Arrascaeta, e torcer para que ele se recupere a tempo da Copa, De La Cruz e Varela. Nem fluminense para admirar Canobbio, nem palmeirense para valorizar Piquerez e Emiliano Martínez.
O Paraguai, de volta à Copa após ausência de 16 anos, levou um esquadrão “brasileiro”. Como foi bonita a festa da torcida em Assunção, na despedida da Albirroja.
A seleção tem em suas fileiras Gustavo Gómez, Maurício e Sosa, do Palmeiras; Balbuena, do Grêmio; Bobadilha, do São Paulo; Junior Alonso, do Atlético-MG; e Isidro Pitta, do Bragantino.
É verdade que a estreia dos paraguaios na Copa, diante dos Estados Unidos, foi frustrante, sobretudo se tratando de uma seleção com a tradição defensiva —foi a segunda menos vazada nas Eliminatórias sul-americanas. Ninguém esperava uma goleada de 4 a 1.
Colômbia e Equador também têm o seu quinhão do Brasileirão. Arias (Palmeiras), Carrascal (Flamengo), Gómez (Vasco) e Portilla (Athletico-PR) estão na primeira seleção.
Plata (Flamengo), Felix Torres (Internacional) e Preciado, Franco e Minda, todos do Atlético-MG, na segunda. Dono da melhor defesa nas Eliminatórias, o Equador tropeçou no primeiro jogo da Copa, perdendo de 1 a 0 para a Costa do Marfim.
Também latinos, mas sem jogadores do Brasileirão, o anfitrião México e a Costa Rica possuem talentos que merecem a torcida. Um exemplo é o goleiro mexicano Guillermo Ochoa.
Na abertura do Mundial, quando a seleção anfitriã venceu a África do Sul por 2 a 0, o atleta tornou-se um recordista ao participar de seis Copas. Mesmo no banco, igualou-se a Messi e Cristiano Ronaldo neste quesito.
Para completar, e a Argentina? Sim, torço pela Albiceleste, desde que não apareça no caminho do Brasil antes da final. Pensemos em Messi e em como foi bonito vê-lo ganhar a Copa de 2022.
E lembremos que, após 20 anos, a seleção argentina leva aos EUA um jogador do Brasileiro, o palmeirense Flaco López. De minha parte, ainda há um argumento pessoal. Os dois filhos de uma grande amiga são argentinos. Se eles estiverem felizes, também estarei.
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Esporte / Folha de São Paulo



