No interior de Minas Gerais, estudantes organizam ato em defesa da democracia

A duas semanas do segundo turno das eleições, mobilizações são organizadas em todo o país. Na sexta (9), estudantes da Universidade Estadual de Minas Gerais organizaram, em Carangola, na Zona da Mata Mineira, uma caminhada, às 20h, do campus universitário até a Praça Matriz, no centro da cidade.
Planejado pelo movimento estudantil da universidade e posteriormente apoiado por militantes do PT municipal, o ato é de apoio à reeleição do presidente Lula (PT), em defesa da educação pública e do Estado democrático de direito. Ao final, estudantes, ativistas e servidores da prefeitura discursaram no palco da praça, protegendo as políticas sociais históricas de Lula e Dilma, aos gritos de “UEMG presente, Lula presidente”.
Marcos Rodrigues, representante do diretório acadêmico da UEMG, enxerga na universidade um espaço de encontro e de resistência ao conservadorismo, muito presente no interior mineiro.
“O campus em Carangola funciona como um polo progressista para a cidade e para região. O ato de hoje partiu de nós enquanto movimento estudantil, e logo depois abraçado pelos simpatizantes”, afirma. “Vamos continuar. Até o segundo turno, estaremos mobilizados de maneira permanente, para garantir a virada”, conclui Marcos.
Lula venceu no município por 201 votos, sendo 8.137 votos para o atual presidente contra 7.936 de Flávio Bolsonaro (PL), ou 1,16 ponto percentual, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A votação não representa, no entanto, uma vitória em torno de um projeto político de esquerda. Para o governo do estado, o candidato direitista e vencedor no primeiro turno, Cleitinho (Republicanos), terminou o pleito com uma votação expressiva na cidade, com 55,13% dos votos válidos, contra 29,68% de Patrus (PT).
No poder legislativo, o cenário não foi diferente. Para o Senado, o mais votado foi Domingos Sávio (PL), com 25,01% dos votos, seguido pela senadora do PT Marília Campos, com 20,05%. Ambos foram eleitos. Já no Congresso, Nikolas Ferreira (PL) dominou com folga, levando 27,45% dos votos para a casa.
A secretária de assistência social do município, Camila Andrade, entende o descompasso entre a vitória de Lula para a presidência e os outros cargos como uma inconsistência ideológica.
“O 4 de outubro foi para nós uma confirmação da regra. Uma confusão de posturas e de projetos. Falta a politização da população”, alerta.
Para ela, a inconsistência é fruto da falta de mobilização geral para instruir os eleitores de que não basta um voto progressista para a presidência se mantermos políticos conservadores em outros cargos.
“Como secretária, falta enfatizarmos a importância de um executivo nacional de esquerda, assim como quais são as propostas de cada candidato e como isso influenciará, direta e indiretamente, na vida das pessoas”, defende.
A vitória legislativa relevante e a confusão ideológica não desmobilizou as bases sociais em Carangola. Talita Baylão, ativista presente na marcha, entende os atos no interior do Brasil como centrais para a campanha de Lula.
“O ato de hoje serve para mostrar para nós mesmos e para eles o poder da juventude e do povo de Carangola, que está com Lula. Por mais que se trate de uma cidade pequena, decidimos não nos calar e seguiremos aqui fazendo o L”, afirmou.



