Política

Novo ato pró-Lula em SP tem jovens eleitos, Haddad, Tebet e Marina após derrotas no 1° turno

A campanha pela reeleição do presidente Lula (PT) mobilizou, nesta terça-feira (13), aliados derrotados e jovens eleitos no primeiro turno em novo ato em São Paulo.

Sob chuva no Largo da Batata, zona oeste da capital paulista, os ex-ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), subiram ao palanque junto a nomes jovens que saíram vitoriosos no primeiro ciclo de votação.

O chamado “Ato da Virada” leva no nome o principal esforço da campanha petista a 12 dias do segundo turno: reverter o resultado que alçou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à liderança da disputa pelo Palácio do Planalto.

A estratégia mira, principalmente, diminuir o número de eleitores ausentes nas urnas –foram 33,4 milhões, um recorde– e convencer eleitores da terceira via a escolherem o petista. Os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) declararam apoio a Flávio. Renan Santos (Missão) não se posicionou.

“Nós não precisamos mais de discursos. A única coisa que nós precisamos fazer é permanecer nas ruas até o dia da eleição e levar a juventude de 16 a 18 anos e os nossos pais e avós acima de 70 anos para votar”, afirmou Tebet. “Será a melhor idade e a juventude que vai dar a vitória para o presidente Lula.”

O PT convocou o ato desta terça com apoio dos partidos PC do B e PV, que compõem a federação Brasil da Esperança, e da federação PSOL-Rede.

O presidente Lula permaneceu em Brasília, após anunciar, pela manhã, o pacote “Prospera MEI”, voltado para microempreendedores individuais.

Estiveram presentes os deputados federais e estaduais eleitos, como Erika Hilton (PSOL), Guilherme Cortez (PSOL), Natália Boulos (PSOL), Luna Zarattini (PT), Sâmia Bonfim (PSOL) e Eduardo Suplicy (PT).

“Eu não quero mais ouvir falar de derrotismo, de pessimismo. Quero ouvir gente virando voto, nas ruas e nas redes”, disse Cortez, eleito para a Câmara dos Deputados.

Os discursos da base aliada do presidente –desde a bancada da Assembleia de São Paulo até representantes da CUT (Central Única de Trabalhadores) e da UNE (União Nacional dos Estudantes)– também miraram o fim da escala 6×1 e os cortes de R$ 250 bilhões no Orçamento, prometidos pelo rival.

“Agora o outro lado quer vir falar que defende o fim da escala 6×1?”, disse a deputada federal eleita Luna Zarattini. “Somos nós que sempre fizemos a defesa dos trabalhadores. Enquanto eles querem a reforma de [Javier] Milei e se espelham na extrema direita ao redor do mundo, nós vamos dar o recado nas urnas.”

O ato ocorre dois dias após a mobilização na Avenida Paulista, que reuniu milhares de apoiadores do presidente Lula na maior parte de seus 2,8 km. Sem estimativa oficial de público, já que a campanha não autorizou o sobrevoo de drones, a ocupação indicava ser a maior da esquerda no local desde protestos contra o governo Jair Bolsonaro (PL). A lotação levou o Metrô a fechar a estação Trianon-Masp.

O esforço de levar a campanha às ruas mira reverter o clima de desânimo diante da desvantagem de Lula na disputa com Flávio Bolsonaro, que ficou à frente no primeiro turno da eleição. O filho mais velho de Jair Bolsonaro marcou 47,03% dos votos válidos, e o atual incumbente, 45,16%.

A tentativa da esquerda de impulsionar apoiadores se somou a outra frente em rede social liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que se incumbiu de ampliar a tropa digital e reuniu mais de 3 milhões de membros no canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp.

O primeiro levantamento do Datafolha, feito após a definição da disputa de segundo turno da eleição presidencial, mostra Flávio com 52% em votos válidos e Lula com 48%. Uma nova pesquisa será divulgada nesta quinta-feira (15).

Folha de São Paulo

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