O diagnóstico interno da campanha de Lula sobre os votos que faltam para a virada

Ler Resumo
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva calcula que precisa conquistar mais de 6 milhões de votos na reta final para vencer a eleição presidencial, segundo um documento interno. O diagnóstico também identifica 3,3 milhões de eleitores que votaram no petista em 2022 e não repetiram a escolha neste ano, mas admite desconhecer as razões dessa perda e como revertê-la. “Não sabemos por que eles saíram e nem o que traz eles de volta”, registra o documento, conforme relatou a editora Laryssa Borges no programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz nesta sexta-feira, 16, com a participação dos editores José Benedito da Silva e Robson Bonin. A discussão ocorreu após a divulgação do Datafolha que mostrou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula (este texto é um resumo do vídeo acima).
Onde a campanha de Lula pretende buscar votos?
Segundo Laryssa, os evangélicos estão entre os públicos que a campanha pretende alcançar nos últimos dias da disputa. O plano inclui mobilizar influenciadores religiosos para tentar reduzir a distância em relação a Flávio nesse segmento. A editora destacou que o Datafolha mostra vantagem superior a 30 pontos percentuais para o candidato do PL entre esses eleitores e de dez pontos no Sudeste.
Para ela, o documento expõe uma dificuldade da campanha em compreender o afastamento de antigos apoiadores. Enquanto Lula anuncia medidas como um novo Pé-de-Meia para universitários, relatou a jornalista, integrantes de sua equipe tentam localizar os votos necessários à reação e encontrar maneiras de recuperar quem deixou de apoiá-lo.
Por que a rejeição dificulta a reação de Lula?
Ao apresentar os dados do Datafolha, Ferraz destacou que 74% dos eleitores de Flávio dizem escolhê-lo por considerá-lo o melhor candidato, enquanto 17% afirmam votar nele para derrotar Lula. Entre os apoiadores do petista, 83% o consideram o melhor nome e 12% declaram que a motivação é derrotar o adversário. Na avaliação do apresentador, essa parcela movida pela rejeição tornou-se um alvo central das campanhas: “Ganha mais quem perde menos”.
José Benedito relacionou os 17% que votam em Flávio para retirar Lula do poder à desaprovação do governo. Para o editor, o presidente subestimou a persistência desse sentimento ao longo do mandato. Embora reconheça o otimismo dos petistas nas redes e nos bastidores, ele ponderou que a vantagem numérica ainda é do adversário e que os anúncios de benefícios não alteraram substancialmente a resistência ao governo.
A perda de apoio a Flávio beneficia o petista?
José Benedito chamou a atenção para a comparação com a primeira pesquisa Datafolha do segundo turno: segundo ele, Flávio perdeu dois pontos, mas Lula permaneceu no mesmo patamar. O editor atribuiu parte desse movimento ao que classificou como “campanha do medo” promovida pelo petista, com mensagens sobre possíveis ameaças a aposentadorias e programas sociais em uma eventual gestão do adversário.
Na interpretação do jornalista, uma parcela dos eleitores recuou em relação a Flávio sem aderir a Lula. “Ele deu um passo atrás em relação ao Flávio, mas não abraçou o Lula”, afirmou. Para José Benedito, esses votos ainda estão em disputa e podem tanto retornar ao candidato do PL quanto migrar para o presidente.
Como a economia pesa nessa disputa?
Robson Bonin avaliou que as dificuldades eleitorais de Lula refletem escolhas do atual mandato, sobretudo na condução da economia. O editor criticou o aumento de gastos e afirmou que as medidas anunciadas na reta final agravam o quadro fiscal. Na avaliação dele, o governo ignorou sinais de insatisfação registrados ao longo do mandato e chega à votação enfrentando as consequências desse desgaste.
Para Bonin, a ampliação dos benefícios durante a campanha também deixará uma conta para a próxima gestão, independentemente do vencedor. “O desespero eleitoral do presidente Lula vai custar caro”, afirmou o editor, ao relacionar a estratégia de reação nas urnas aos desafios econômicos que permanecerão depois da eleição.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Veja



