Política

O governador acidental que saiu-se melhor do que a encomenda

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O desembargador Ricardo Couto, Presidente licenciado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e atualmente governador em exercício do Rio de Janeiro, tem se saído melhor do que a encomenda.

Formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ em 1987, é magistrado de longa e bem sucedida carreira. Foi juiz de direito, desembargador e depois eleito presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. É cem por cento prata da casa.

Ricardo Couto já demonstrou – em várias de suas decisões como governador em exercício – ter valiosas qualidades, entre elas a lucidez, a celeridade e a correção. Ele fez simplesmente o que tinha de ser feito, em absolutamente todas as medidas administrativas que tomou. Seu perfil e suas características positivas estão demonstradas não apenas na sua brilhante carreira no Judiciário do nosso estado, mas, sobretudo, na gestão administrativa, nesses poucos meses em que vem comandando o Palácio Guanabara.

Entretanto, no contexto em que nos encontramos no Rio de Janeiro, que desfila uma sequência infeliz de governantes desastrosos, inclusive com os seis últimos sendo presos, processados criminalmente ou “impichados”, merecem ser ressaltadas algumas das características que Ricardo Couto (felizmente) não tem.

Essas características talvez sejam tão – ou mais – importantes do que as suas qualidades…

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O nosso governador em exercício não tem partido político, não tem apoio de bancadas, não tem compromisso com correligionários, não tem obrigação de conquistar eleitorados polarizados, de atender favores em redutos eleitorais, de agradar a gregos e troianos, e, principalmente, não tem a pretensão de ser eleito ou reeleito.

Ricardo Couto, deliciosamente, sequer demonstra se é de esquerda ou de direita, isso para o desgosto profundo daqueles que se aproveitam da pantanosa polarização política que estamos vivenciando. Ele sentou na cadeira de governador sem amarras, e é sem amarras que vem tomando suas decisões.

Ricardo Couto já exonerou mais de 2.000 funcionários fantasmas com apadrinhamento político, está atuando com foco em auditorias nos cofres estaduais, diminuindo cargos comissionados e contendo gastos públicos. Passou recentemente o rodo no Detran-RJ, conhecido reduto de falcatruas. Com pouco mais de um mês na cadeira, Couto implementou um pacote de medidas de transparência e fiscalização nos órgãos estaduais.

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No início dessa semana afirmou que planeja recuperar cerca de R$ 1,4 bilhão dos recursos que o Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio que desgraçada e criminosamente investiu no Banco Master.

Está fazendo na interinidade o que poucos fizeram na efetividade.

O que está claro nesse cenário é que o governador em exercício não está capturado por esse nosso sistema político disfuncional e degradante.

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Importa lembrar que o desembargador Ricardo Couto, na condição de Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi o terceiro e último da linha sucessória para o Palácio Guanabara, sendo que Cláudio Castro – ex-governador que renunciou para evitar a cassação – encontra-se sendo investigado criminalmente, enquanto Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do estado (segundo na linha sucessória) encontra-se preso por envolvimento com o crime organizado, para a sorte do povo do Rio de Janeiro…

Finalmente, o sucesso do desembargador Ricardo Couto à frente do governo do Rio escancara o estado de profunda degeneração da política fluminense, e, igualmente, demonstra como são urgentes algumas reformas políticas que facilitem e permitam a renovação dos quadros políticos do país. O x da questão é que dependemos dos próprios políticos para que tais transformações sejam iniciadas.

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