Política

O que diz Eduardo Bolsonaro após condenação pelo STF

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, em entrevista ao VEJA em Foco, que o julgamento em que foi condenado sob acusação de tentar interferir no caso da trama golpista, foi um “jogo de cartas marcadas”. O filho Zero Três de Jair Bolsonaro foi condenado, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto.

Eduardo, que está morando nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, afirmou que não foi citado formalmente no caso e alega que, isso possibilitaria a declaração de nulidade de todo o processo. Ele afirma também que, por esse mesmo motivo, sequer pôde constituir defesa. Ele é representado no processo pela Defensoria Pública da União.

“Eu não tenho nem do que recorrer, porque eu não sei do que que eu estou sendo acusado”, disse.

Como foi o julgamento no STF

O relator do caso, Alexandre de Moraes, votou pela condenação, e os demais ministros da Turma, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, o acompanharam. Os ministros também foram unânimes ao fixar o tamanho da pena, que deixa o ex-deputado inelegível desde já. Ele ainda pode recorrer da sentença.

Os ministros da Primeira Turma do STF concordaram com a investigação da Procuradoria-Geral da República, que apontou que Eduardo agiu junto ao governo dos Estados Unidos para articular sanções a autoridades e à economia brasileiras com o objetivo de pressionar o julgamento da trama golpista.

Continua após a publicidade

Em julho passado, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros, mencionando o processo contra Jair Bolsonaro, que chamou de “caça às bruxas”. No mesmo mês, os EUA sancionaram Moraes pela Lei Magnitsky, que bloqueia eventuais bens e empresas em território norte-americano de supostos violadores de direitos humanos. Eduardo assumiu o crédito pelas medidas, que foram suspensas no final de 2025 –o Brasil, no entanto, enfrenta hoje a ameaça de um novo tarifaço.

Sanções dos EUA

Na entrevista a VEJA, Eduardo afirmou que não é “responsável” pelas sanções americanas. “Eu não sou o responsável pelas sanções, eu não assino a sanção. Se eles tivessem o mínimo de coerência e coragem, eles colocariam o Donald Trump no banco dos réus”, disse.

“Eu jamais pedi a absolvição do meu pai. O julgamento do meu pai é igualzinho ao meu. É um jogo de cartas marcadas. Ou será que alguém acha que em qualquer processo em que eu seja réu e o Moraes, o julgador, vocês acham que a gente vai ser absolvido? É óbvio que não, porque já existe uma inimizade pessoal ali”, afirmou.

Continua após a publicidade

“Quero ver se eles vão ter coragem de mandar essa sentença deles aqui pro exterior para ser cumprida, para ver se me pegam aqui e me extraditam”, seguiu. “Não vão fazê-lo porque sabem que seria rechaçada de pronto.”

 

Veja

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo