O que é enfisema pulmonar, condição que afetou Pedro Bial?

Pedro Bial, de 68 anos, revelou que convive com um enfisema pulmonar, consequência dos anos em que manteve o hábito de fumar. O jornalista contou que deixou o cigarro depois dos 50 anos e afirmou que considera a doença uma das marcas deixadas pelo período em que foi fumante.
Em entrevista à GQ, Bial relembrou a relação que teve com o cigarro e reconheceu os impactos do hábito em sua saúde. “Eu era um fumante bravo”, declarou. Segundo o jornalista, o enfisema é pequeno, mas ainda representa um motivo de arrependimento. “A minha vida é feita de arrependimento. Eu sou um arrependimento ambulante”, afirmou.
Mesmo após o diagnóstico, Bial procura manter uma rotina ativa. O jornalista, que já foi jogador profissional de basquete, disse que realiza caminhadas rápidas durante aproximadamente 30 minutos diariamente. Além disso, faz musculação acompanhado por um personal trainer entre duas e três vezes por semana. Ele também começou recentemente a praticar tai chi chuan.
Entenda o que é o enfisema pulmonar
O enfisema pulmonar é uma alteração que atinge os alvéolos, estruturas localizadas nos pulmões responsáveis pelas trocas de oxigênio e gás carbônico. De acordo com a pneumologista Fernanda Miranda, do Centro Clínico do Órion Complex, a doença ocorre principalmente devido à destruição gradual das paredes dessas estruturas.
Com a perda dessas paredes, o pulmão também perde parte de sua elasticidade e passa a ter mais dificuldade para expulsar o ar. Como consequência, parte dele pode ficar retida no interior dos pulmões.
“Ele ocorre principalmente porque a parede dos alvéolos vai sendo destruída progressivamente. Com essa destruição, os pulmões perdem parte da sua elasticidade, ficam com dificuldade para eliminar o ar, isso provoca o aprisionamento de ar dentro dos pulmões”, explicou a especialista.
A pneumologista ressalta ainda que os danos estruturais provocados pelo enfisema não são reversíveis depois que a lesão está estabelecida.
Enfisema e DPOC são a mesma coisa?
Apesar de estarem diretamente relacionados, os termos não significam exatamente a mesma coisa. O enfisema é uma alteração estrutural que pode fazer parte da doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida pela sigla DPOC.
“A doença pulmonar obstrutiva crônica, cuja sigla é DPOC, é o nome da doença, e enfisema é a alteração na estrutura do pulmão que faz parte da DPOC”, esclareceu Fernanda.
A DPOC também engloba a bronquite crônica e provoca uma limitação persistente do fluxo de ar pelos pulmões.
Como o cigarro pode causar enfisema?
O tabagismo está entre os principais fatores associados ao desenvolvimento do enfisema pulmonar. A fumaça do cigarro possui milhares de substâncias químicas capazes de provocar inflamações e lesões no sistema respiratório.
De acordo com Fernanda Miranda, a exposição contínua à fumaça mantém um processo inflamatório no organismo que, ao longo dos anos, pode danificar as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas.
“O tabagismo é uma das principais causas do enfisema porque a fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas que são capazes de provocar essa inflamação e essa lesão das vias aéreas e do tecido pulmonar”, afirmou.
A agressão constante também pode prejudicar os mecanismos naturais de defesa dos pulmões. Por esse motivo, o cigarro é considerado o principal fator de risco para a DPOC e, consequentemente, para o enfisema.
Apesar da forte associação com o tabagismo, a doença também pode aparecer em pessoas que nunca fumaram. Poluição, exposição à fumaça de outras fontes, determinados ambientes de trabalho e, em situações raras, alterações genéticas também podem contribuir para o surgimento do problema.
Quais são os sintomas?
Os sinais do enfisema dependem do grau de comprometimento dos pulmões. Falta de ar, principalmente durante atividades físicas, tosse persistente e cansaço estão entre os sintomas mais frequentes.
Nas fases iniciais, entretanto, a doença pode não provocar manifestações muito evidentes. Algumas pessoas acabam relacionando a dificuldade para respirar ao envelhecimento, ao sedentarismo ou à falta de condicionamento físico e, por isso, demoram a buscar atendimento médico.
“É possível ter enfisema e apresentar poucos sintomas, principalmente nas fases iniciais, porque muitas pessoas atribuem essa falta de ar à redução de condicionamento físico, à própria idade, ao sedentarismo, ao próprio hábito de fumar, e acabam demorando para procurar a avaliação médica”, explicou a pneumologista.
Parar de fumar ajuda no tratamento?
Interromper o consumo de cigarro é uma das principais recomendações para quem já apresenta enfisema ou possui risco de desenvolver DPOC. Embora deixar de fumar não consiga reconstruir as estruturas pulmonares que já foram destruídas, a medida ajuda a evitar que a agressão continue.
“Parar de fumar não significa necessariamente que o pulmão volte ao estado de antes da doença, mas significa interromper aquela agressão responsável pela progressão da doença e preservar a função pulmonar que ainda existe”, alertou Fernanda.
O tratamento pode variar conforme a condição de cada paciente e incluir medicamentos, exercícios físicos e acompanhamento médico. Em situações específicas, também pode ser indicada a reabilitação pulmonar.
A especialista destaca ainda a importância da vacinação e da manutenção de uma rotina de atividades físicas. “A primeira e mais importante medida para quem fuma é parar de fumar, mas também é importante vacinação, atividade física, exercício, reabilitação pulmonar quando indicada, além do tratamento que se fundamenta em medicações broncodilatadoras e outros medicamentos quando necessários”, concluiu.
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