O segredo por trás dos últimos dias de Paulo Goulart antes da despedida aos 81 anos

O ator Paulo Goulart morreu aos 81 anos, em 13 de março de 2014, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital São José, unidade pertencente à Beneficência Portuguesa, onde recebia cuidados médicos durante o tratamento de um câncer.
A informação da morte do artista mobilizou familiares, amigos e admiradores de uma carreira que atravessou mais de seis décadas. Segundo relatos da época, a família esteve reunida no hospital no momento em que o ator faleceu, acompanhando seus últimos instantes.
Paulo Goulart enfrentava problemas de saúde desde anos anteriores. Em 2012, foi diagnosticado com câncer, e em setembro de 2013 passou por tratamento para um tumor localizado no mediastino, região entre os pulmões. A doença havia sido considerada uma recidiva de um câncer anterior que atingiu a região dos rins.
Nascido Paulo Afonso Miessa, em 9 de janeiro de 1933, na Fazenda Santa Tereza, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o ator construiu uma história marcada pela dedicação às artes. Filho de Afonso e Elza Miessa, que trabalhavam com a agricultura, teve uma infância simples e desde cedo demonstrou interesse pelo universo artístico.
Sua primeira experiência com a atuação aconteceu ainda na infância. Aos 8 anos, participou de uma peça teatral organizada pelo colégio onde estudava, interpretando uma pequena bailarina. O episódio despertou nele o gosto pelos palcos, embora inicialmente tenha seguido outro caminho profissional.
Paulo chegou a estudar química industrial e concluiu a formação, mas seu grande sonho era trabalhar no rádio. Quando soube da realização de um teste para locutor em sua cidade, decidiu participar, porém não conseguiu a vaga. Em novas tentativas, dessa vez voltadas para a atuação, encontrou sua verdadeira vocação e passou a trabalhar como rádio-ator.
Início da carreira e paixão pelo teatro
A carreira profissional começou em uma emissora de rádio fundada pelo próprio pai, na cidade de Olímpia, no interior paulista. Em 1952, Paulo Goulart passou a integrar a Companhia Nicette Bruno e Seus Comediantes, grupo que teve papel fundamental em sua trajetória artística.
Na companhia, participou da peça Senhorita Minha Mãe, de Louis Verneuil, dirigida por Ruggero Jacobbi, e também de Amor Versus Casamento, de Maxwell Anderson, com direção de Rubens Petrille de Aragão.
Foi justamente naquele período que sua vida pessoal também ganhou um novo capítulo. Em 1952, Paulo Goulart se casou com a atriz Nicette Bruno, com quem construiu uma das histórias de amor mais conhecidas da televisão brasileira.

Ainda nos anos 1950, o ator começou sua trajetória na televisão, participando da produção Helena, e também estreou no cinema em 1954, no filme Destino em Apuros.
Ao longo da década, passou a trabalhar com importantes nomes do teatro nacional. Em 1957, integrou a Companhia Eva e Seus Artistas, liderada por Eva Todor, atuando em montagens como Vê Se Me Esquece, de Luiz Iglesias, Anastácia, de Marcelle Maurette, e Lotária, também de Luiz Iglesias, todas dirigidas por Henriette Morineau.
No mesmo período, participou de A Vida Não É Nossa, de Accioly Neto, em uma produção realizada ao lado de Nicette Bruno.
Carreira no cinema e na televisão
Mesmo mantendo forte ligação com os palcos, Paulo Goulart também construiu uma trajetória marcante no cinema. Em 1957, participou de Rio Zona Norte, e no ano seguinte esteve em outras cinco produções cinematográficas.
O ator continuou aparecendo em filmes como E Eles Não Voltaram, de 1960, e Nordeste Sangrento, de 1962. Depois de um período afastado das telonas, retornou ao cinema em 1972, com A Marcha.
Entre 1966 e 1969, Paulo também passou a integrar o elenco da TV Excelsior, onde participou de novelas como As Minas de Prata (1966), Os Fantoches (1967), A Muralha (1968) e Vidas em Conflito (1969).
Além de ator, ele também se aventurou como autor teatral. Em 1975, escreveu Nós Também Sabemos Fazer, peça que também dirigiu. Em 1980, criou Mãos ao Alto, São Paulo!, sob direção de Roberto Lage. Já em 1983, escreveu duas novas obras, incluindo O Infalível Dr. Brochard.

Sucesso na Globo e últimos trabalhos
A primeira novela de Paulo Goulart na TV Globo foi A Cabana do Pai Tomás, exibida em 1969. Ao longo da carreira, ele também passou por emissoras como TV Tupi, SBT, Record e TV Bandeirantes.
Na Globo, consolidou sua popularidade em produções que marcaram diferentes gerações de telespectadores. Entre seus trabalhos mais lembrados estão Plumas e Paetês (1980), O Dono do Mundo (1991), Mulheres de Areia (1993), Esperança (2002), América (2005), Duas Caras (2007), Ti-ti-ti (2010) e Morde & Assopra (2011).
Seu último trabalho na televisão foi a minissérie Louco por Elas, exibida em 2012.
Além da extensa carreira artística, Paulo Goulart deixou uma família ligada às artes. Ele era pai de Beth Goulart e Bárbara Bruno, ambas atrizes, e de Paulo Goulart Filho, ator e dançarino. Também deixou as netas Vanessa Goulart e Clarissa Mayoral, que seguiram o caminho da atuação.
Com uma trajetória marcada pelo teatro, cinema e televisão, Paulo Goulart foi lembrado após sua morte como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, deixando uma contribuição que atravessou gerações.
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