Política

Pablo Marçal diz que quer ir a debates e que não criará problema para Flávio Bolsonaro

O influenciador Pablo Marçal, que registrou candidatura à Presidência pelo PRTB, afirmou nesta segunda-feira (17) que pretende participar dos debates eleitorais e disse que “não vai criar problemas” para a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. As declarações foram dadas em sabatina promovida pelo canal Brasil Paralelo.

Segundo Marçal, o resultado das primeiras pesquisas eleitorais vai “assustar” quem hoje disputa a corrida presidencial. Ele obteve uma medida liminar na Justiça Eleitoral de São Paulo para se filiar, e abriu um caminho jurídico para protocolar um pedido de registro de candidatura à Presidência da República.

“Eu vou participar dos debates, a próxima pesquisa vai mudar o rumo das coisas”, disse.

A decisão do juiz eleitoral de Santana de Parnaíba (SP) Gustavo Nardi favorável a Marçal é provisória e pode ser derrubada pelo próprio magistrado ou por instâncias superiores.

A Folha procurou a TV Bandeirantes, que receberá o próximo debate presidencial previsto para domingo (23), e a emissora afirmou que estarão presentes os candidatos já confirmados.

O influenciador afirmou ainda conversar “muito” com Flávio, e disse que o senador foi a primeira pessoa para quem ligou depois de conseguir registrar a sua candidatura: “Segue seu caminho em paz, que você não vai ter problema comigo”, disse ter dito, em referência a uma eventual disputa entre os dois pelo mesmo eleitorado.

“Ele riu”, disse Marçal sobre a reação de Flávio. “A maior preocupação dele e de todo mundo é achar que o ‘Marçal vai vir e pôr pra derreter’, mas eu quero é quebrar o ciclo do PT, quero que o PT vire o PSDB, por ostracismo”, disse.

“Vocês não precisam ficar preocupados comigo. Quem decidiu seu voto, siga seu voto. Eu entrei nesse negócio para responder um chamado do meu coração. Que eu serei o presidente do país, é uma absoluta certeza da minha alma, se é nessa eleição, na outra, eu não tenho pressa, não sou impaciente, sei esperar”, disse.

Marçal afirmou ainda que Flávio “está indo bem” nas pesquisas e falou do apoio internacional ao candidato, citando o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em maio, o senador se encontrou com Trump, na Casa Branca, em meio à tentativa de aliados de emplacar uma agenda positiva na pré-campanha dele à Presidência depois do desgaste político do caso “Dark Horse“.

Durante a sabatina, Marçal também dirigiu uma mensagem ao presidente Lula (PT), a quem chamou de “o maior político da história do Brasil”. Em seu discurso, o candidato recorreu com frequência a referências e vocabulário religioso para descrever sua trajetória política e judicial —citando Golias e Davi —em referência ao duelo bíblico em que um pastor jovem derrota um guerreiro gigante—, Pedro, Paulo, Jesus e os “portões do inferno”.

“Sou Davi e vou derrubar o Golias”, disse, ao afirmar que pretende encerrar a sequência de vitórias eleitorais do petista.

“Nós seremos conhecidos como a nação e o povo que aposentou aquele que já perdeu três eleições e ganhou três. Essa vai ser a sétima, e sete na numerologia bíblica significa plenitude. Nós vamos ser a geração que derrubou o Golias, deixa comigo, eu levo a pedra”, afirmou.

Ele disse esperar Lula em debate e afirmou: “Tenho perguntas para te fazer lá”.

A campanha do presidente Lula decidiu não ir ao debate da TV Bandeirantes, segundo apurou a coluna Painel. Um argumento que reforça a decisão de Lula é o fato de os organizadores terem convidado candidatos que não precisariam ser chamados com base na legislação, como Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Sem Lula, o debate da Band também não deve contar com Flávio Bolsonaro, seu principal adversário.

Em outro momento, Marçal afirmou haver uma articulação para mantê-lo inelegível e disse esperar a atuação de “homens e mulheres justos com canetas judiciais” favorável a ele —sem citar nomes ou apresentar provas. “Em matéria de direito, não tem como manter a minha inelegibilidade”, diz.

Disse ainda temer represálias em seus processos judiciais caso fale abertamente sobre o assunto, e afirmou não temer eventual prisão, citando figuras bíblicas. “No dia que eu aposentar, vou contar tudo que está acontecendo. Mas eu não posso falar agora, senão não consigo ajudar vocês”, disse.

Sobre suas chances de melhorar nas pesquisas e vencer a corrida à Presidência, Marçal mencionou a estratégia “antissistema”, referenciando o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Bolsonaro só conseguiu ser presidente porque era do PSL, um partido anão, ele era visto como antissistema”, disse, afirmando que há, então, a probabilidade de derrotar o “Golias” em um “partido anão”. Marçal afirmou ainda acreditar que Bolsonaro será solto “muito em breve”.

O pré-candidato também disse pretender mudar sua estratégia em possíveis debates diante de processos judiciais. Como eu tomei 257 processos, o objetivo agora é reduzir esse número para 15. Mas, se meu coração mandar fazer doideira, eu vou fazer.”

Para que consiga concorrer, no entanto, Marçal terá que reverter ou suspender a condenação na Justiça Eleitoral que o tornou inelegível.

A decisão deste sábado do juiz eleitoral de Santana de Parnaíba (SP) Gustavo Nardi favorável a Marçal é provisória e pode ser derrubada pelo próprio magistrado ou por instâncias superiores.

A defesa de Marçal alegou no processo que a filiação dele ao PRTB no prazo legal para se candidatar, dia 4 de abril, não havia sido realizada em virtude de demora da Justiça Eleitoral no fornecimento de senha para o sistema de filiação partidária.

Os advogados do influenciador pediram urgência, já que o prazo de registro de candidatura terminava às 19h deste sábado. O juiz concedeu a liminar para considerar a filiação retroativa a 4 de abril, mas ressalvou que a solução do caso “exige a completa elucidação dos fatos” e o aprofundamento da análise das provas.

Folha de São Paulo

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