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Paramount quer que estados paguem a conta pelo atraso da fusão com a Warner

A Paramount Skydance pretende obrigar os estados estadunidenses que estão impedindo sua fusão com a Warner Bros. Discovery a arcar com taxas e custos provocados pelo atraso na operação. O pedido foi apresentado nesta segunda-feira (17) em novo documento do processo antitruste que questiona a transação.

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A empresa solicitou que os estados responsáveis pela ação judicial apresentem garantia de US$ 1,88 bilhão (cerca de R$ 9,8 bilhões) para cobrir os possíveis prejuízos provocados pelo adiamento da fusão.

Em julho, um grupo de 12 procuradores-gerais estaduais, liderado pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, entrou com uma ação para impedir a fusão de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 572 bilhões) entre a Paramount e a Warner.

A operação reuniria dois tradicionais estúdios de cinema — Paramount e Warner Bros. —, além de combinar amplo portfólio de redes de TV por assinatura nos Estados Unidos e as plataformas de streaming HBO Max e Paramount+.

Os procuradores-gerais estaduais afirmam que a operação violaria a Lei Antitruste Clayton, legislação com mais de 100 anos que proíbe fusões e aquisições consideradas anticompetitivas.

Em comunicado, um porta-voz da Paramount citou a Lei Clayton e outras normas federais que, segundo a empresa, determinam que os autores de uma ação — neste caso, os estados — sejam obrigados a apresentar uma garantia para cobrir possíveis prejuízos causados pela paralisação de uma transação durante a disputa judicial.

“Aqui, cada mês de atraso traz consequências financeiras substanciais e quantificáveis”, afirmou a Paramount.

Até o momento, Bonta não se posicionou oficialmente.

Atraso pode custar caro à Paramount

  • A Paramount já recebeu aprovações regulatórias da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, assim como das demais jurisdições internacionais necessárias para levar a fusão adiante;
  • No entanto, no mês passado, a empresa concordou em adiar a aquisição para até junho de 2027, enquanto o processo movido pelos procuradores-gerais estaduais avança em direção ao julgamento;
  • A Paramount planejava há bastante tempo concluir a operação até o fim de setembro. O adiamento, porém, pode representar um custo significativo para a companhia;
  • Pelos termos do acordo de fusão, a Paramount concordou em pagar uma chamada ticking fee aos acionistas da WBD. A partir de 30 de setembro, a empresa deverá pagar aos acionistas adicionais US$ 0,25 (R$ 1,30) por ação a cada trimestre até que a operação seja concluída;
  • Esse mecanismo pode representar aproximadamente US$ 650 milhões (cerca de R$ 3,4 bilhões) em dinheiro por trimestre.


Fachada da Paramount
Empresa quer que prejuízo seja compensado pelos estados – Imagem: Tada Images/Shutterstock

“Até o momento em que o julgamento terminar e as partes apresentarem suas alegações finais, a Paramount terá pago aos acionistas da Warner Bros. US$ 1,3 bilhão em ticking fees irrecuperáveis”, afirmou a empresa no documento apresentado à Justiça.

A Paramount também argumenta que o atraso ameaça invalidar as aprovações regulatórias que as empresas já passaram meses obtendo.

“Sem uma garantia, mesmo uma vitória completa no mérito não recuperaria um único dólar dessas perdas extraordinárias. É justamente por isso que a legislação federal exige que os autores forneçam uma garantia como condição para receber medidas preliminares, como a ordem aprovada pelo tribunal”, afirma o documento.

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Outros custos do adiamento

Em seu comunicado, a Paramount afirmou que os US$ 1,88 bilhão solicitados representam um “cálculo direto da máxima consideração potencial relacionada às ticking fees e dos custos de financiamento decorrentes deste processo”.

A empresa, porém, ressaltou que esses não são os únicos custos associados ao adiamento da operação. “Em razão de um atraso de pelo menos oito meses na conclusão da operação, não haverá integração nem aumento dos investimentos em conteúdo, produção e talentos criativos por parte da empresa combinada”, afirmou a Paramount.

A companhia acrescentou que os funcionários das duas empresas também são prejudicados pela incerteza provocada pelo adiamento da fusão.

Estados que contestam a fusão

Além da Califórnia, fazem parte do grupo de estados que processam a Paramount para bloquear a operação:

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  • Arizona;
  • Colorado;
  • Connecticut;
  • Massachusetts;
  • Minnesota;
  • Nevada;
  • Nova Jersey;
  • Novo México;
  • Nova York;
  • Oregon;
  • Washington.

Ao todo, são 12 estados, liderados pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta.

A ação foi apresentada em julho e sustenta que a fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery violaria a Lei Antitruste Clayton, criada há mais de um século para impedir operações de concentração que prejudiquem a concorrência.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.


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