Política

Paraná e São Paulo alcançam o topo da eficiência com modelos opostos

Embora ocupem o topo do Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F) —que mede os resultados obtidos em serviços fundamentais em relação à receita corrente líquida (RCL) per capita—, Paraná e São Paulo chegam às primeiras colocações por meio de modelos distintos.

O Paraná garante o 1º lugar geral (0,734, numa escala de 0 a 1), impulsionado pelo equilíbrio dos indicadores em diferentes áreas, enquanto São Paulo assegura o 3º lugar (0,637), amparado por resultados excepcionais em infraestrutura e segurança.

O Ceará (0,665), na 2ª colocação, completa o trio de líderes com uma terceira combinação: destaca-se em educação (0,740) e saúde (0,642), mas tem fragilidades em segurança (0,223) e infraestrutura (0,408). O estado vai bem também por ter a menor receita per capita do país —portanto, faz mais com muito menos.

O Paraná apresenta o desempenho mais equilibrado entre os estados. Na educação, registra nota 0,874, a mais alta do país, com 92,7% de atendimento no ensino fundamental, 79,8% no ensino médio e taxa de abandono de apenas 1,5%.

Na saúde, sua nota é 0,677, a terceira maior, com 3,26 médicos por mil habitantes e mortalidade infantil de 10,7 por mil nascidos vivos.

Na infraestrutura, o Paraná alcança 0,817, a segunda maior nota, com 96,3% da população atendida por abastecimento de água e 76,4% por esgotamento sanitário. Na segurança, registra 15,5 mortes violentas por 100 mil habitantes e nota 0,774. Em finanças, a nota é 0,681.

São Paulo constrói seu desempenho de outra maneira. Sua nota de infraestrutura é 0,992, a maior entre os estados e praticamente o teto do índice. Lidera também em segurança, com 0,994 e a menor taxa de mortes violentas intencionais do país: 7,8 por 100 mil habitantes.

No saneamento, 90,5% dos paulistas são atendidos por esgotamento sanitário e 95,1% por abastecimento de água. Na malha viária, 77,2% dos trechos são classificados como ótimos ou bons.

A força paulista, porém, convive com uma fragilidade na saúde. A nota é 0,431, abaixo da média nacional de 0,494, e a cobertura da atenção primária alcança 71,1%, uma das menores entre os estados.

Em finanças, São Paulo tem nota 0,543, também abaixo da obtida pelo Paraná. Em educação, porém, registra o segundo melhor resultado, com 0,802, atrás apenas do Paraná.

A receita não explica a diferença entre os dois. A RCL per capita do Paraná é de R$ 5.982 e a de São Paulo, R$ 5.777 —ambas abaixo da média nacional de R$ 6.913.

Minas Gerais reforça o peso dessas diferenças: ocupa a 7ª posição (0,552), com resultados fortes em segurança (0,848), infraestrutura (0,669) e saúde (0,633), mas nota baixa em finanças (0,272).

O Rio de Janeiro, 18º (0,354), tem infraestrutura forte (0,771), mas resultados fracos em educação (0,285) e finanças (0,315). Minas e Rio estão entre os estados mais endividados do país.

Folha de São Paulo

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