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Parlamentares europeus cobram investigação sobre prêmio da Fifa a Trump

Cinquenta eurodeputados apoiaram uma petição organizada por uma ONG (organização não governamental) para exigir que a Fifa investigue a atribuição, por Gianni Infantino, presidente da entidade, de um “Prêmio da Paz” a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

A ONG britânica FairSquare, de defesa dos direitos humanos, acusa o chefe do futebol mundial de ter violado seu “dever de neutralidade” imposto pelo artigo 15 do código de ética da instituição, para agir a favor de Trump.

A ONG pede em particular à comissão de ética que “examine as circunstâncias” que cercam a atribuição em novembro de 2025 ao presidente americano de um “prêmio FIFA da paz” inédito, cujos critérios e modalidades nunca foram esclarecidos pela instituição do futebol.

“Esta carta constitui a intervenção mais significativa de autoridades políticas europeias contra o abuso de governança e as violações às regras no topo do futebol mundial desde que o Parlamento Europeu pediu em 2015 a renúncia de Sepp Blatter, antecessor de Infantino”, escreveu a FairSquare na sexta-feira.

Em uma carta datada de segunda-feira, 50 deputados de 13 países europeus, principalmente social-democratas, liberais e verdes, “instam a Comissão de Ética da FIFA a conduzir com a maior rapidez e sinceridade” a investigação pedida há sete meses pela FairSquare.

“Enquanto os olhos do mundo inteiro estão voltados para a FIFA neste verão do hemisfério norte” em plena Copa do Mundo 2026, esta petição “representa uma oportunidade para que a FIFA demonstre seu compromisso a favor da neutralidade política, da transparência e da responsabilidade”, escrevem os signatários, liderados pelo irlandês Barry Andrews, pela holandesa Lara Wolters e pelo dinamarquês Niels Fuglsang.

Em junho, a federação norueguesa de futebol manifestou seu apoio à petição da ONG, tornando-se a única das 211 nações-membro da FIFA a fazê-lo.

A FairSquare já havia apontado em outubro o apelo de Infantino a favor de que Trump fosse premiado com o Nobel da Paz, além de ter feito comentários favoráveis à política interna do líder americano.

“Ao apoiar claramente a agenda política do presidente Trump ao nível nacional e internacional”, sua atitude ameaça “a integridade e reputação do futebol e da própria FIFA”, lamentava a ONG.

Ao ser contatada na sexta-feira pela AFP, a FIFA não comentou a carta dos parlamentares europeus. Nunca respondeu à petição da FairSquare nem às críticas que cercaram o “Prêmio da Paz”.


Esporte / Folha de São Paulo

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