Pesquisa indica que brasileiros veem país com menor risco político e Sheinbaum, do México, é a governante mais aprovada

Nova rodada da pesquisa Latam Pulse, divulgada nesta quinta-feira (6), aponta que a população brasileira percebe o país como o de menor risco político entre os principais vizinhos, enquanto o México lidera o ranking regional de aprovação governamental.
O levantamento, feito pela AtlasIntel em parceria com Bloomberg, monitora mensalmente indicadores políticos e econômicos em sete nações da América Latina para fornecer um panorama da estabilidade regional: Brasil, Argentina, México, Venezuela, Chile, Colômbia e Peru.
No Brasil, o governo federal colhe bons frutos de sua agenda social. Medidas como a gratuidade de medicamentos do Farmácia Popular (82% veem como um acerto), a isenção de Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil (79%) e o programa Desenrola (65%) aparecem como os indicadores mais positivos para a gestão Lula na pesquisa.
Por outro lado, os brasileiros demonstram resistência ao novo arcabouço fiscal (43% consideram um erro) e à retirada de empresas como os Correios do programa de privatização (48%).
Para chegar a esses resultados no Brasil, a AtlasIntel utilizou a metodologia de Recrutamento Digital Aleatório (Atlas RDR), entrevistando 5.021 pessoas entre os dias 22 e 27 de julho de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08602/2026.
Brasil lidera estabilidade
O Brasil registra o menor Índice de Risco Político (Atlas-PRI) da amostra, marcando 39 pontos em uma escala de 0 a 100. Este índice avalia o potencial de turbulência política baseado em três dimensões: instabilidade institucional, conflitos sociais e criminalidade. Quanto menor o número, maior a percepção de um ambiente seguro e previsível.
Na contramão, Chile e Peru são percebidos como os cenários de maior risco político, ambos com 52 pontos. No Chile, a corrupção é vista por 51,7% da população como o principal problema nacional.
Essa instabilidade chilena reflete na visão sobre o mercado de trabalho, avaliado como “ruim” por 61% dos entrevistados. O pessimismo chileno sobre o emprego, contudo, só não é maior que o da Argentina, onde a percepção de crise no trabalho atinge o nível mais crítico da região: 73% dos argentinos consideram a situação ruim.
A Argentina, sob a gestão de Javier Milei, atravessa um momento de profundo descrédito popular. O presidente argentino é desaprovado por 62,4% da população, e o país detém o pior Índice de Confiança do Consumidor (-37 pontos) entre todos os monitorados. A percepção econômica é de queda livre, com 56% acreditando que a situação do país vai piorar ainda mais nos próximos seis meses.
Relação com os EUA
Os argentinos também lideram o desejo de distanciamento diplomático dos Estados Unidos, com 48% da população defendendo relações mais remotas. Esse sentimento está atrelado à defesa da soberania nacional, em que 44% dos entrevistados na Argentina classificam como “péssimo” o respeito dos estadunidenses à autonomia do país.
No México, que possui a maior aprovação presidencial da região (57% para Claudia Sheinbaum), a relação com o vizinho também é tensa. A imagem do presidente estadunidense, Donald Trump, é negativa para 64,5% dos mexicanos.
Além disso, a maioria dos entrevistados no México considera injustificadas as tarifas alfandegárias impostas pelos EUA e avalia de forma “péssima” (49%) o tratamento dado aos imigrantes. A Venezuela (55%) e o Peru (46%) são os países que mantêm a melhor imagem positiva sobre os estadunidenses na região.
Inflação peruana sob controle
O Peru apresenta um dado econômico singular: a menor expectativa de inflação entre os países pesquisados, fixada em 4,5% para os próximos meses. Esse indicador mede o quanto o cidadão espera que os preços subam no dia a dia. O Brasil espera uma inflação de 5,2%, enquanto a Argentina lidera o encarecimento de vida com uma expectativa de 7,9%.
Apesar do relativo controle nos preços, o presidente peruano José Balcázar enfrenta um isolamento popular severo, com apenas 23% de aprovação. O índice peruano só supera o da Venezuela, onde a gestão interina de Delcy Rodríguez é aprovada por apenas 22%.
A metodologia da pesquisa nos demais países seguiu o padrão Atlas RDR, com amostras variando entre 982 e 2.191 entrevistados. O levantamento foi realizado entre 30 de julho e 3 de agosto de 2026, com margem de erro de dois a três pontos percentuais para mais ou para menos.



