Economia

Pesquisa? Petrobras? O que fez Ibovespa sair de queda para alta no pregão desta 4ª

A sessão desta quarta-feira (23) para o Ibovespa já teve uma primeira hora de forte volatilidade. Na abertura, o benchmark da Bolsa chegou a ter queda de 0,73%, a 186.051 pontos, seguindo o movimento do índice futuro em meio à mais recente pesquisa eleitoral, mas logo passou a diminuir as perdas e inclusive a subir.

A mínima do dia foi atingida com investidores repercutindo nova pesquisa eleitoral AtlasIntel/Bloomberg mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperando a vantagem numérica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um potencial segundo turno na disputa presidencial, embora a disputa permaneça em empate técnico.

Isso porque Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas.

Contudo, o índice passou a subir ainda na primeira hora, atingindo uma máxima de 188.772 pontos, ou alta de 0,72%. Porém, foi limitando os ganhos e, às 10h57 (horário de Brasília), tinha alta de 0,36%, a 188.099 pontos, após chegar a zerar; já por volta das 11h, voltou a ter ganhos mais fortes, de cerca de 0,60%.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta que, inicialmente, o mercado reagiu à alta dos Treasuries, ao dólar mais forte e ao aumento da sensibilidade ao cenário eleitoral.

Depois, houve uma recuperação bastante forte do índice, principalmente com Petrobras (PETR3;PETR4) ganhando força junto com a recuperação do petróleo, além de um movimento técnico de recompra depois da queda mais intensa dos primeiros minutos.

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As ações da Petrobras subiam mais de 3% em um cenário de recuperação dos preços do petróleo, após a commodity ter atingido a quinta queda seguida na véspera com ânimo do mercado sobre um eventual acordo entre EUA-Irã, que fez o brent ir abaixo dos US$ 100 o barril. Além disso, os papéis da estatal tiveram o preço-alvo elevado e a recomendação de compra reforçada pelo UBS BB.

Para Lima, o cenário político pode, sim, estar pesando na formação dos preços, mas o comportamento desta manhã mostra que a política é apenas uma parte da formação dos preços.

“A pesquisa eleitoral trouxe cautela inicialmente, porque mantém a disputa muito apertada e altera as expectativas dos investidores sobre política fiscal e econômica para o próximo governo. Ao mesmo tempo, a recuperação da Bolsa mostra que fluxo, commodities e fatores técnicos também estão falando alto. Então, hoje temos uma disputa entre risco político e juros de um lado, e recuperação de Petrobras e fluxo comprador do outro. A pesquisa continua relevante, mas não está dominando sozinha o pregão”, avalia.

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O analista aponta que, normalmente, o primeiro impacto aparece no dólar e na curva de juros, porque são os mercados que incorporam mais rapidamente mudanças nas expectativas sobre fiscal, dívida pública e política econômica.

Depois, essa percepção se transmite para a Bolsa, principalmente para bancos, varejo, construção, empresas domésticas e estatais.

“Mas a reação não é mecânica. O pregão de hoje mostra isso bem: mesmo com o cenário eleitoral gerando cautela e com dólar e juros pressionados, o índice conseguiu recuperar boa parte das perdas com apoio de Petrobras e fluxo comprador. Portanto, pesquisas eleitorais são importantes, mas precisam ser analisadas junto com juros, câmbio, commodities e posicionamento técnico do mercado”, destaca.

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Além disso, conforme ressaltou análise do BTG Pactual após conversa com investidores, a avaliação recente é de que os locais estão cada vez mais se posicionando para uma eleição competitiva e dando mais crédito à oposição, mas isso não deve ser interpretado como forte convicção de que a oposição vencerá.

Saiba mais: Reeleição de Lula já está no preço da bolsa brasileira, avalia gestora americana

“Em vez disso, os investidores estão se posicionando para um resultado de primeiro turno potencialmente mais forte do que o esperado, mantendo o beta geral da carteira relativamente contido. (…) A grande questão é o quanto mais os investidores estão dispostos a aumentar essa exposição à medida que nos aproximamos do primeiro turno”, reforça.

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Infomoney

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