Política

PF aponta que Cezinha de Madureira teria atuado junto a Nunes Marques em dois processos no STF

Conversas obtidas pela PF (Polícia Federal) apontam que o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) teria atuado como facilitador junto ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques em ao menos dois processos.

Os investigadores detalham dois contratos firmados pelos escritórios da mulher do deputado, Valéria Rodrigues Linhares e de Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados que foi assessora de Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa.

Um dos contratos previa o pagamento de R$ 1 milhão de honorários e mais R$ 2 milhões, caso conseguissem a soltura do ex-secretário de educação de Belford Roxo (RJ) Denis de Souza Macedo, ainda que com a imposição de medidas cautelares.

Macedo foi preso em fevereiro de 2025 em uma operação da PF que apurou desvios da ordem de R$ 112 milhões de recursos do Fundeb (Fundo Nacional de Educação Básica) e do PNAE.

O outro caso previu pagamento de R$ 500 mil após o julgamento de um processo ajuizado pela então prefeita de Beberibe (CE), Michele Cariello de Sá Queiroz, que buscava anular uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Ceará.

Neste caso, Fialek disse que o deputado teria que despachar com o ministro. Para a PF, o ato não se refere à advocacia, mas sim à obtenção de um despacho pessoal junto ao juiz.

Ao que Cezinha responde: “Eu havia pedido a ele para me atender hoje cedo, ele não conseguiu me atender, marcou para falar comigo por vídeo às 16:00 / Ministro Kassio / Entendeu? / Ai vou pedir a ele”.

Para a Polícia Federal, o padrão de conduta é constante e se repete em todos os episódios. Fialek encaminha a peça ao deputado, que confirma que falou, despachou, pediu ou que será atendido pelo ministro.

A advogada, então, cobra o resultado. Nas mensagens, ela diz: “Me dê boas notícias” ou “Qual o próximo passo?”.

Na decisão que autorizou as buscas contra o parlamentar, o ministro Flávio Dino afirma estar claro que os fatos implicam um deputado sem habilitação para atuar como advogado, mas que “aparenta utilizar a ascendência de sua função parlamentar para incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de Tribunais Superiores”.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo