PF pode abrir até três inquéritos para investigar financiamento do filme Dark Horse

A Polícia Federal (PF) pode abrir até três inquéritos nos próximos dias para apurar suspeitas sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A expectativa surgiu após o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), definir na quinta-feira, 25, o ministro André Mendonça como relator das investigações envolvendo repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O que aconteceu
- A PF prevê a abertura de até três inquéritos para investigar o financiamento do filme Bolsonaro “Dark Horse”, após decisão do STF sobre a relatoria do caso.
- As apurações focam em repasses de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro e a eventual destinação de parte desse dinheiro para Eduardo Bolsonaro nos EUA.
- Outra frente investiga o direcionamento de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme, como a Go Up e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
O valor de R$ 61 milhões foi revelado em maio pelo site The Intercept Brasil, que obteve trocas de mensagens entre Flávio e o ex-banqueiro. O dinheiro chegou a um fundo de financiamento do filme nos EUA por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, já suspeita de integrar o ecossistema de fraudes do Master. A PF quer confirmar o montante e apurar se os repasses ocorreram em troca de algum favor prestado pelo senador ou pelo seu grupo político. Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma ter solicitado apenas um financiamento privado para o filme do pai.
A dúvida sobre a relatoria havia surgido porque o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu que as apurações ficassem com o ministro Alexandre de Moraes, que foi relator da ação penal que condenou Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo, em razão de sua atuação nos EUA. O argumento era de que parte do dinheiro de Vorcaro pode ter sido usada para financiar Eduardo Bolsonaro no país. Fachin, no entanto, manteve o caso com Mendonça, responsável pelos demais inquéritos do caso Master no tribunal.
É complexa a investigação sobre eduardo bolsonaro?
A investigação sobre o eventual uso do dinheiro para bancar Eduardo Bolsonaro é considerada mais complexa, pois depende de cooperação com as autoridades americanas para o quebramento de sigilos nos EUA.
A terceira frente de investigação — sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme — terá como relator o ministro Flávio Dino, que desde 15 de maio já conduz uma apuração preliminar sobre o tema. Segundo policiais ouvidos pela reportagem, o caso deve evoluir para um inquérito formal.
A suspeita é que parlamentares do PL, entre eles os ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli e os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS), tenham destinado emendas a entidades da empresária Karina da Gama para financiar indiretamente o filme. O deputado Mario Frias (PL-SP), diretamente envolvido na produção da cinebiografia, também teria firmado contratos com empresas de Karina usando verbas da Câmara.
Karina da Gama é responsável pela produtora Go Up, dona de “Dark Horse”, e também comanda entidades que receberam recursos públicos — entre elas a Academia Nacional de Cultura (ANC), que recebeu R$ 2,6 milhões em emendas PIX de parlamentares do PL. Todos negam irregularidades. Além das investigações da PF, a Controladoria-Geral da União (CGU) realiza uma auditoria sobre a destinação dos recursos dessas emendas.
IstoÉ



