Piqué adere ao boom dos investimentos no xadrez

O ex-jogador da seleção espanhola Gerard Piqué tornou-se acionista estratégico de uma franquia da GCL (Global Chess League), juntando-se a um número crescente de atletas, como Erling Haaland, que investem em um esporte que rapidamente se transforma em um produto comercial de entretenimento.
Piqué, campeão da Copa do Mundo e fundador da empresa de esportes e mídia Kosmos, foi anunciado como o mais novo acionista da franquia Fyers American Gambits durante uma entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (17) em Bengaluru, na Índia.
“O xadrez me fascina há muito tempo por sua profundidade, seu apelo global e a incrível força mental que exige”, disse o ex-jogador do Barcelona em comunicado.
O investimento surge em meio a um esforço mais amplo para transformar o xadrez de um jogo de tabuleiro tradicional em um produto esportivo global por meio de ligas franqueadas, conteúdo digital, patrocínios e plataformas de streaming.
O ex-jogador de críquete indiano Ravichandran Ashwin é acionista da equipe American Gambits.
O multicampeão olímpico norueguês de esqui cross-country, Johannes Hoesflot Klaebo, e Haaland também investiram este ano na Norway Chess e no Campeonato Mundial de Xadrez, que conta com o apoio da Fide (Federação Internacional de Xadrez).
“Há muitos paralelos interessantes”, disse à Reuters o investidor norueguês Morten Borge, que ajudou a levar o atacante do Manchester City ao projeto.
“Embora em campo Erling pareça um monstro físico, o futebol de alto nível também envolve preparação, estratégia, senso de tempo e compreensão dos momentos decisivos. Nesse sentido, há semelhanças com o xadrez.”
Borge afirmou que Haaland se sentiu atraído pela ênfase do jogo no pensamento estratégico e pela disciplina mental necessária para atuar sob pressão.
Essa convergência reflete uma tendência mais ampla no esporte, em que atletas recorrem cada vez mais ao xadrez para aprimorar a concentração, a tomada de decisões e o reconhecimento de padrões.
O ex-técnico do Manchester City Pep Guardiola mencionou com frequência o xadrez e a estratégia em discussões sobre futebol.
Diversos atletas de diferentes modalidades já falaram publicamente sobre o uso do jogo como ferramenta de treinamento, entre eles o ex-atacante do Liverpool Mohamed Salah e os tenistas Boris Becker e Novak Djokovic.
Ao mesmo tempo, investidores enxergam cada vez mais oportunidades comerciais no xadrez.
A Global Chess League, apoiada pela gigante indiana de tecnologia Tech Mahindra e pela Fide, busca ampliar o alcance do esporte com formatos mais curtos, concebidos para a televisão e o público digital.
Borge acredita que o xadrez segue o caminho trilhado por vários esportes de nicho que conseguiram expandir-se para além de suas bases tradicionais de fãs.
“Se é possível comercializar um esporte de nicho como os dardos, e se quase 1 bilhão de pessoas jogam xadrez em todo o mundo, a oportunidade é óbvia”, afirmou.
A equipe American Gambits competirá na quarta edição da GCL, em Bengaluru, em setembro.
Esporte / Folha de São Paulo



