PL, com Pavanato, amplia deputados de SP na Câmara, com PT e esquerda estagnados

Lucas Pavanato (PL) saiu em disparada e foi o deputado federal com o maior número de votos em São Paulo e o segundo maior do país, com 3.038.438 votos. Com o número, acabou por puxar correligionários e ampliar o peso da direita na bancada paulista.
Impulsionado pelo aliado Nikolas Ferreira (PL), que deve se eleger como o deputado mais votado no Brasil, por Minas Gerais, ele encabeça a lista de parlamentares que assumirão vaga na Câmara a partir de fevereiro de 2027. Ambos ficaram à frente do campeão de votos da história, Eduardo Bolsonaro, que em 2018 angariou 1.843.735 votos, também por São Paulo.
Uma das principais adversárias política de Pavanato, Erika Hilton (PSOL) conquistou o segundo lugar no estado e foi a mulher mais votada do país. Primeira travesti negra a ocupar uma cadeira na Câmara, ela renovou o mandato com ao menos 1.596.472 votos, seis vezes mais que em 2022.
O resultado das urnas mostrou novamente a força da direita em São Paulo. Há oito anos, a bancada paulista na Câmara foi tomada por uma onda bolsonarista, reafirmada no pleito de 2022 e ampliada agora.
Se há quatro anos o Partido Liberal, de Flávio Bolsonaro, alçou 17 representantes à bancada, agora foram 19, bem à frente dos 11 eleitos pela federação Brasil da Esperança, que reúne o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Verde (PV) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). É o mesmo número de eleitos pelo PT no último pleito, que não viu vitórias entre os candidatos dos outros dois partidos.
Na sequência vieram o Partido Social Democrático (PSD), o Republicanos, o Podemos e a Federação PSOL-Rede, com 6 cada um, a federação União-Progressistas (PP), com 5, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com 4, e Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Novo com 2 cada. As uniões entre PSDB e Cidadania e entre Solidariedade e o Partido Renovação Democrática (PRD) ficaram com uma vaga cada, assim como o Missão.
Em 2022, o Podemos alegeu apenas 3, dobrando seus representantes agora. Também cresceram PSD, Republicanos e Novo, com 3, 1 e 1 a mais, nesta ordem. Enquanto isso, PSOL e Rede, juntos, conseguiram as mesmas 6 vagas, evidenciando um estacionamento da esquerda na Câmara, diante do crescimento de expoentes da direita.
Com os números de Pavanato, o PL puxou vários outros candidatos por meio do sistema eleitoral proporcional, em que o voto em cada candidato entra na contagem geral da legenda, beneficiando correligionários menos populares.
Também do PSOL, Sâmia Bomfim terminou a corrida em terceiro lugar, com 583 mil votos, também uma das mais populares no país. Kim Kataguiri (Missão), com 520 mil, Tabata Amaral (PSB), com 476 mil, e Renato Bolsonaro (PL), irmão de Jair Bolsonaro, com 379 mil, vieram atrás, a uma distância significativa dos dois campeões de votos do estado.
Sargento Nantes (PP), com 333 mil, Delegado Palumbo (Podemos), com 303 mil, Guilherme Cortez (PSOL), com 275 mil, e Mauricio Neves (PP), com 269 mil, fecham a lista dos dez mais votados para representar os paulistas na Câmara dos Deputados.
Pavanato ganhou espaço na direita como influenciador. Natural de Sorocaba, ele se mudou para a capital aos 18 anos –hoje tem 28– e começou sua atuação política ligado ao Movimento Brasil Livre, o MBL. Foi estagiário e assessor de Fernando Holiday e, pouco depois, passou a se aproximar do bolsonarismo.
Filiado ao PL, seguiu trajetória semelhante à de Nikolas Ferreira ao produzir conteúdo para a internet voltado a pautas conservadoras. Entre as bandeiras que defende estão a da chamada “família tradicional”, que se opõe a configurações familiares diferentes do casamento entre homem e mulher –e em que ele assume o papel de provedor e ela, de cuidadora do lar.
Em 2022, se candidatou a deputado estadual e terminou como suplente, com 36 mil votos. Dois anos depois, já ganhando projeção nacional, se candidatou a vereador e foi eleito com mais de 160 mil votos.
Já Erica Hilton, também uma das figuras mais conhecidas da nova geração política e com forte atuação nas redes sociais, começou a jornada política no movimento estudantil, quando estudava na Universidade Federal de São Carlos, a UFSCar. Em 2015, ao reivindicar o reconhecimento de seu nome social num cartão de transporte escolar, angariou mais de 6.000 assinaturas num abaixo-assinado online.
A repercussão chamou a atenção do PSOL, que se aproximou de Hilton. Pelo partido, ela foi eleita codeputada estadual pela Bancada Ativista, na Alesp. Dois anos depois, deixou o mandato para concorrer à Câmara Municipal e se tornou a primeira pessoa trans a ocupar um cargo ali.
Entre suas pautas, estão iniciativas ligadas à violência contra pessoas trans e travestis e direitos LGBTQIA+, temas aos quais Pavanato se opõe veementemente, além de projetos voltados a segurança alimentar, saúde pública e políticas sociais. Ela manteve os temas em sua atuação como deputada federal, a partir de 2022.
Alguns nomes conhecidos do eleitor que disputavam o pleito acabaram ficando sem vaga, caso do apresentador Datena (PSB), que, com pouco mais de 51 mil votos, ficou em terceiro lugar na legenda, que alçou apenas dois representantes à Câmara.
Do PT, José Dirceu, ex-presidente nacional da sigla e ex-ministro da Casa Civil, que por três vezes ocupou cargo de deputado federal, não conseguiu se eleger. Jean Wyllys e o também ex-presidente nacional da sigla, Rui Falcão, foram outros que ficaram de fora.
Pelo PL, ficaram de fora Nise Yamaguchi, alvo de críticas pela defesa da hidroxicloroquina durante a pandemia de Covid-19, Rita Zambelli, mãe da ex-deputada federal Carla Zambelli, e Padre Kelmon, que se candidatou à presidência no pleito de 2022.
Entre os nomes de projeção que conseguiram assegurar um assento na Câmara estão Baleia Rossi (MDB), Jilmar Tatto (PT), Celso Russomanno (Republicanos) e o pastor Marco Feliciano (PL).
Confira, abaixo, os deputados federais eleitos por São Paulo.
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Lucas Pavanato (PL)
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Erika Hilton (PSOL)
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Sâmia Bomfim (PSOL)
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Kim Kataguiri (Missão)
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Tabata Amaral (PSB)
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Renato Bolsonaro (PL)
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Sargento Nantes (PP)
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Delegado Palumbo (Podemos)
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Guilherme Cortez (PSOL)
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Mauricio Neves (PP)
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Marcio Alvino (PL)
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Professora Luciene Cavalcante (PSOL)
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Ana Carolina Oliveira (Podemos)
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Baleia Rossi (MDB)
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Luna Zarattini (PT)
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Marina Helena (Novo)
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Delegado Bruno Lima (Podemos)
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Rosana Valle (PL)
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Renata Abreu (Podemos)
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Marcos Pereira (Republicanos)
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Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL)
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Igor Soares (PSD)
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Guilherme Piai (Republicanos)
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Paulo Alexandre Barbosa (PSD)
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Felipe Becari (Podemos)
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Thiago Surfista (PL)
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Alencar Santana (PT)
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Capitão Augusto (PL)
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Jilmar Tatto (PT)
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Celso Russomanno (Republicanos)
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Thiago dos Reis (PT)
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Paulo Serra (PSDB)
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Sidney Cruz (MDB)
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João Cury (MDB)
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Luiz Fernando Machado (PL)
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Arlindo Chinaglia (PT)
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Pastor Marco Feliciano (PL)
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Ney Santos (Republicanos)
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Carlos Zarattini (PT)
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Edinho Silva (PT)
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Nilto Tatto (PT)
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Natália Boulos (PSOL)
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Kiko Celeguim (PT)
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Motta (PL)
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Juliana Cardoso (PT)
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João Paulo Cunha (PT)
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Rodrigo Gambale (Podemos)
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Dra. Sandra Tadeu (PL)
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Enrico Misasi (MDB)
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Coronel Telhada (PP)
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Paulo Freire (PL)
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Marcos Neves (PSD)
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Jonas Donizette (PSB)
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Miguel Lombardi (PL)
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Saulo Pedroso (PSD)
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Altair Moraes (Republicanos)
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Jefferson Campos (PL)
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Carlos Sampaio (PSD)
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Maria Rosas (Republicanos)
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Mario Frias (PL)
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Delegado Paulo Bilynskyj (PL)
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Carlos Bezerra Jr. (PSD)
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Sirlange Manga (União)
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Milton Leite Filho (União)
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Adriana Ventura (Novo)
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Eduardo Cury (PL)
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Wesley Cezar Lelinho (PL)
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Gil Diniz (PL)
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Edinho Araujo (PRD)
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Sônia Guajajara (PSOL)
Folha de São Paulo



