Por que o Parthenon Center, em Goiânia, não tem 8º andar?

Quem entra no elevador do Parthenon Center, no Centro de Goiânia, encontra uma sequência capaz de transformar uma simples viagem em motivo de curiosidade. Depois do botão do 7º andar, aparece o 9º. O número oito não está disponível para os usuários.
A ausência alimenta há décadas histórias sobre um pavimento fechado, acidentes e supostos fenômenos sobrenaturais. Recentemente, o assunto voltou a circular nas redes sociais depois que a publicitária Mariana Alves Tavares visitou o edifício e publicou um vídeo investigando o chamado “andar apagado”.
A explicação apresentada por ela, com base em informações obtidas durante a visita, é menos assustadora e mais ligada à arquitetura: o espaço correspondente ao oitavo pavimento existiria fisicamente e apareceria nos registros da construção, mas funcionaria como área técnica e de transição entre a garagem e a torre de escritórios.
A informação ajuda a explicar a ausência do botão, mas ainda precisa ser tratada com cautela. O Mais Goiás não teve acesso, até o momento, às plantas originais nem aos documentos municipais mencionados no vídeo. Por isso, não é possível afirmar que a função do espaço esteja oficialmente confirmada.
O mistério é mais um capítulo da trajetória do Parthenon Center, inaugurado em 1976 com sete níveis de estacionamento e capacidade projetada para 980 automóveis. O complexo possui cerca de 46 mil metros quadrados, reúne 22 pavimentos e ocupa o quarteirão delimitado pelas ruas 4, 6, 7 e 17, no Setor Central.
Número oito realmente não aparece no elevador
A origem da polêmica pode ser verificada no próprio painel. A sequência apresenta os pavimentos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7. Em seguida, salta diretamente para o número 9.
A ausência não significa necessariamente que uma parte do edifício tenha sido retirada da construção. Prédios de grande porte podem possuir níveis técnicos, mezaninos ou lajes intermediárias sem acesso pelos elevadores destinados ao público.
Esses espaços costumam receber sistemas elétricos, hidráulicos, equipamentos de ventilação, estruturas dos elevadores, reservatórios ou áreas destinadas à manutenção.
No Parthenon Center, a explicação que circula é que a chamada oitava laje fica justamente na transição entre os pavimentos de estacionamento e a torre comercial.
O prédio possui sete níveis destinados aos veículos. Acima deles começam as salas, os escritórios e os espaços institucionais. A sede e a sala de ensaios da Orquestra Sinfônica de Goiânia, por exemplo, funcionam no 9º andar.
Jovem investigou o mistério do andar apagado
A publicitária Mariana Alves Tavares voltou a colocar o tema em evidência ao gravar dentro do edifício e questionar por que o elevador passa do 7º diretamente para o 9º andar.
No conteúdo divulgado nas redes sociais, ela apresenta a explicação de que o oitavo nível não teria desaparecido. O espaço existiria nos registros da edificação, mas não funcionaria como um pavimento comercial aberto à circulação cotidiana.
Segundo o relato apresentado por Mariana, a contagem das lajes e dos mezaninos teria sido influenciada pela complexidade da garagem vertical. O local correspondente ao oitavo piso seria utilizado como área de sustentação e serviços.
A hipótese é compatível com a configuração do prédio. O Parthenon foi projetado para integrar estacionamento, escritórios, comércio e serviços em uma construção de grandes dimensões.
No entanto, a comprovação definitiva dependeria da consulta às plantas arquitetônicas, aos projetos estruturais, à convenção do condomínio e aos registros de numeração existentes na Prefeitura de Goiânia.
Garagem ajuda a entender a diferença na numeração

O Parthenon Center possui uma das estruturas de estacionamento mais conhecidas da capital. As rampas e lajes formam uma garagem vertical integrada ao restante do edifício.
A construção foi concebida em um momento no qual Goiânia registrava forte crescimento populacional e aumento da frota. Entre 1970 e 1980, a população do município passou de 389.784 para 738.117 habitantes, avanço de aproximadamente 89%.
O projeto distribuiu as vagas por sete níveis e colocou acima da garagem uma torre destinada a escritórios e serviços. A organização criou diferenças entre a contagem das estruturas físicas e a identificação dos andares destinados ao público.
É nesse ponto de passagem que estaria localizada a laje popularmente associada ao oitavo andar.
Ausência do botão alimentou histórias de assombração

A possível explicação técnica não impediu que o espaço se transformasse em uma das lendas urbanas mais conhecidas de Goiânia.
O desaparecimento do botão alimentou boatos de que o andar teria sido fechado depois de acidentes ou episódios ocorridos no edifício. Com o passar dos anos, os relatos ganharam elementos sobrenaturais.
A fama do Parthenon como prédio assombrado não nasceu nas redes sociais. Em 2017, o Mais Goiás reuniu lendas urbanas de Goiânia e ouviu frequentadores do edifício. Pessoas que trabalhavam no local relataram histórias sobre fantasmas, sensações estranhas nos elevadores e acontecimentos associados ao prédio.
Os depoimentos demonstram que a narrativa já circulava muito antes do TikTok. Isso não significa, entretanto, que os fenômenos relatados tenham comprovação.
São histórias transmitidas entre trabalhadores, comerciantes, pacientes e antigos frequentadores. Ao longo do tempo, versões diferentes podem se misturar e transformar acontecimentos reais em uma única narrativa.
Lenda do copo de água
Entre os relatos associados ao Parthenon está a história de uma presença que pediria água ou provocaria ruídos em uma área do edifício.
Segundo uma das versões, funcionários teriam deixado um copo de água no local e, depois disso, as manifestações teriam diminuído.
Não há documento público conhecido que comprove o episódio. Também não existe uma versão única sobre quando ele teria ocorrido ou em qual parte do prédio.
A narrativa reúne características comuns às lendas urbanas: um local conhecido, um espaço de acesso restrito, testemunhos indiretos e uma história repetida durante anos.
Áreas fechadas aumentam a curiosidade
Portas trancadas, grades e áreas com acesso limitado também ajudam a manter o mistério.
Em um prédio com estacionamento vertical, elevadores, instalações elétricas, tubulações e equipamentos de manutenção, determinados espaços precisam ficar fechados por razões operacionais e de segurança.
Para quem conhece as histórias sobre o 8º andar, porém, os acessos restritos podem parecer a confirmação de que alguma coisa foi escondida.
A própria arquitetura contribui para a sensação. O concreto aparente, os grandes vãos, os corredores, as rampas e a redução do movimento em determinados horários modificam a acústica do local.
Barulhos produzidos por elevadores, bombas, tubulações, carros e estruturas metálicas podem atravessar diferentes pontos do edifício e parecer vir de um andar vazio.
O que está confirmado sobre o 8º andar
O número oito não aparece entre as opções dos elevadores usados pelo público.
Também está comprovado que o Parthenon possui sete níveis de garagem e uma torre superior destinada a escritórios, serviços e atividades culturais. O edifício possui 22 pavimentos em sua configuração original.
A explicação que ganhou repercussão nas redes afirma que existe uma oitava laje, utilizada como área técnica ou de transição. Essa informação, contudo, ainda precisa ser confirmada por documentos ou por um responsável técnico do prédio.
Não há comprovação pública de que o número tenha sido retirado por causa de uma tragédia específica ou de acontecimentos sobrenaturais.
Afinal, o 8º andar existe?
A resposta depende do que se entende por “andar”.
O espaço pode existir fisicamente como laje ou pavimento técnico sem funcionar como um andar comercial, com salas, corredores e acesso pelo elevador social.
Essa é, até agora, a explicação mais coerente com a arquitetura do Parthenon Center e com o conteúdo divulgado por Mariana Alves Tavares. Mas a confirmação definitiva depende da análise dos projetos e registros oficiais.
Enquanto isso, a ausência do botão continua cumprindo seu papel. No painel do elevador, o número oito não aparece. Na memória e na curiosidade dos moradores de Goiânia, porém, o 8º andar do Parthenon Center nunca deixou de existir.
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