Pressão pela renúncia de Infantino surge em meio a onda de apoio

O pressionado presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, recebeu um apoio muito necessário após mais de uma semana de críticas contundentes em torno do plano de investimento privado, agora engavetado. Mas, na sexta-feira (7), também houve um pedido para que ele renunciasse.
A posição do advogado ítalo-suíço de 56 anos continua longe de estar garantida, apesar do apoio de aliados que conquistou ao longo de seus 10 anos no poder, da CAF (Confederação Africana de Futebol) e das federações de futebol do México e da Argentina.
A Fifa afirmou que poderia captar até US$ 4,2 bilhões com base na avaliação de US$ 20 bilhões de uma nova subsidiária comercial, chamada FFE (Fifa Forward Enterprise), que, segundo a proposta, administraria eventos como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
No entanto, antigos laços foram rompidos.
A Uefa, entidade que rege o futebol europeu e na qual Infantino atuou como secretário-geral de 2009 a 2016, está em conflito aberto com a Fifa e, na quinta-feira, reforçou a declaração do sábado anterior, afirmando que não tem mais “confiança” nele.
A reação da entidade ocorreu logo após Infantino obter o apoio total de altos dirigentes da Fifa —desqualificados pelos críticos como pessoas “cujas carreiras dependem de seu favorecimento”—, e a Uefa reiterou a ameaça de boicotar as Copas do Mundo.
A decisão da Uefa, na quinta-feira passada, de recorrer à opção extrema do boicote, teria sido decisiva para obrigar Infantino a engavetar o acordo de investimento privado.
Uma de suas associações filiadas, a NFF (Federação Norueguesa de Futebol), não fez rodeios e pediu que ele deixasse o cargo imediatamente.
“Nós, da NFF, vamos pedir que o presidente da Fifa renuncie agora”, disse na sexta-feira sua presidente, Lise Klaveness, conhecida por sua franqueza.
É praticamente certo que Infantino não atenderá ao pedido e seguirá com sua campanha para ser eleito para um quarto e último mandato, em Rabat, em março do próximo ano.
Infantino, que passou a turbulenta última semana entre aliados no Marrocos —um dos países-sede da Copa do Mundo de 2030—, é, por enquanto, o único candidato.
O prazo para o registro de candidaturas termina em 18 de novembro.
Existe também um mecanismo que permite a convocação de um congresso extraordinário da Fifa e a realização de uma votação de moção de desconfiança contra Infantino.
Klaveness, que também é advogada, seria a escolha de muitos para sucedê-lo e também se tornaria a primeira mulher a comandar o futebol mundial.
No entanto, ela disse à AFP que suas ambições pessoais não tiveram qualquer papel na exigência pela renúncia de Infantino.
“Ainda não chegamos a esse ponto”, disse Klaveness.
“Para nós, agora, trata-se das questões que acabei de mencionar, e não de indivíduos específicos. Seria estranho eu começar a responder a perguntas sobre mim mesma, e isso vale para todos”, acrescentou a dirigente de 45 anos.
“Linchamento público”
Victor Montagliani, presidente da Concacaf —a entidade que rege o futebol na América do Norte e Central—, tem sido o nome mais citado como possível desafiante de Infantino.
A Concacaf —que inclui os três países-sede da recente Copa do Mundo— esteve, ao lado da Uefa, entre as entidades mais duras ao criticar Infantino, mesmo depois do recuo humilhante do sábado anterior, quando ele retirou a proposta.
A Concacaf havia pedido “um amplo acerto de contas com esta presidência”.
No entanto, a Concacaf não se manifestou desde que a mais recente nota da Fifa foi divulgada, no fim da quarta-feira, após Infantino convocar uma reunião de emergência com altos dirigentes no Marrocos.
A AFC (Confederação Asiática de Futebol) também criticou a maneira como o plano foi conduzido, mas, assim como a Concacaf, preferiu não se pronunciar após o comunicado da Fifa.
Ao contrário da ideia de que Infantino teria mantido o plano em segredo, relatos do The New York Times indicam que alguns dos dirigentes da Fifa presentes no Marrocos já haviam tomado conhecimento da proposta em uma reunião realizada na véspera da final da Copa do Mundo, no mês passado.
Infantino, que seguiu para a Colômbia, onde participará da posse do presidente de extrema-direita Abelardo de la Espriella, não está, contudo, sem apoio; alguns manifestaram publicamente seu respaldo.
O México, um dos membros mais influentes da Concacaf e um dos países-sede da Copa do Mundo, pode ter ficado descontente com o plano, mas, agora que ele foi retirado de pauta, passou a apoiar Infantino.
“A FMF (Federação Mexicana de Futebol) apoia a liderança do presidente Infantino”, afirmou a entidade em comunicado.
O comitê executivo da CAF “reconfirmou por unanimidade seu apoio” ao presidente da Fifa em nota divulgada após uma reunião na quinta-feira.
A decisão da entidade deve ter agradado ao ministro dos Esportes da África do Sul, Gayton McKenzie, que havia pedido ao futebol africano que resistisse ao que chamou de “linchamento público” de Infantino.
Esporte / Folha de São Paulo



