Quadrilha usava moradores de rua para vender terrenos de mortos

Uma quadrilha especializada em fraudes imobiliárias virou alvo de operação da Polícia Civil (PC) na segunda-feira (19) suspeita de aplicar golpes em Aparecida de Goiânia. O bando, conforme as investigações, mirava terrenos que tinham sido comercializados e quitados há mais de 20 anos, mas que os donos morreram antes da transferência da propriedade.
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Com base em certidões de óbito e dados pessoais dessas vítimas, o grupo fabricava falsos contratos, simulando negociações realizadas ainda em vida pelos compradores legítimos. Para dar uma aparência de antiguidade e, consequentemente, autenticidade, os documentos eram produzidos com máquinas de escrever antigas e submetidos a técnicas de envelhecimento artificial.
Segundo a PC, com os documentos fraudados em mãos, os investigados apresentavam às incorporadoras procurações supostamente lavradas em cartórios de outros estados, especialmente Maranhão e Pará. Embora aparentassem ser documentos públicos autênticos, continham declarações falsas e eram utilizadas para obter autorizações destinadas à lavratura das escrituras definitivas.
Os imóveis, ainda de acordo com a corporação, eram transferidos para terceiros usados como “laranjas”, incluindo pessoas em situação de rua e, posteriormente, revendidos a compradores que, em alguns casos, desconheciam a origem fraudulenta da documentação.
Investigação
Durante a operação, a PC apreendeu contratos com indícios de falsidade ideológica, mapas de loteamentos de Aparecida de Goiânia e uma máquina de escrever antiga. A investida faz parte da segunda fase da operação, que busca identificar outros integrantes da organização, localizar imóveis transferidos irregularmente e identificar novas vítimas.
Os materiais apreendidos serão analisados para estabelecer vínculos entre os investigados e verificar a existência de outras operações suspeitas. A corporação informou que também apura a utilização de instrumentos públicos formalmente autênticos, mas com conteúdo ideologicamente falso, para conferir aparência de legalidade às transferências.
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