Quanto custa chegar ao Planalto? O raio-X da campanha de Lula em 2022


A campanha que levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de volta ao Palácio do Planalto em 2022 gastou R$ 131,3 milhões entre o primeiro e o segundo turnos da disputa presidencial.
Os dados constam da prestação de contas da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dezembro daquele ano.
Ao todo, a campanha declarou uma arrecadação de R$ 135,5 milhões. Segundo o TSE, 92,84% dos recursos recebidos tiveram origem em fundos públicos de financiamento eleitoral.

Os números dão uma dimensão do custo de uma campanha presidencial nacional, que envolve estrutura nos estados, equipes, publicidade, produção audiovisual, viagens, eventos e mobilização durante mais de dois meses.
Perto do teto
Em 2022, o limite de gastos para os candidatos à Presidência era de R$ 88,9 milhões no primeiro turno. Para os dois candidatos que avançaram à segunda etapa da eleição, o teto foi ampliado em 50%, chegando a cerca de R$ 133,4 milhões.
Os R$ 131,3 milhões declarados pela chapa Lula-Alckmin representaram, portanto, quase todo o limite permitido pela legislação.
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A origem do dinheiro também mostra a importância dos recursos públicos no financiamento da disputa presidencial. Aplicado sobre a arrecadação total da campanha, o percentual informado pelo TSE indica que aproximadamente R$ 125,8 milhões vieram dos fundos eleitorais. O restante foi formado por outras fontes autorizadas pela legislação.
Campanha passou por análise do TSE
Antes da diplomação, as contas da chapa vencedora foram submetidas à análise técnica da Justiça Eleitoral. O TSE informou à época que aproximadamente 11 mil documentos foram examinados no processo, que envolveu receitas, despesas, notas fiscais e contratos apresentados pela campanha. A área técnica também realizou milhares de verificações para confrontar as informações declaradas com dados de fornecedores e plataformas digitais.
No julgamento, os ministros aprovaram por unanimidade as contas da chapa.
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A equipe técnica havia identificado questionamentos sobre despesas que somavam R$ 187 mil, equivalentes a uma parcela pequena do total movimentado. Após os esclarecimentos apresentados pela campanha, o Tribunal considerou as pendências resolvidas e aprovou as contas.
Dinheiro público
O peso dos fundos públicos nas contas de Lula em 2022 reflete uma mudança ocorrida no financiamento eleitoral brasileiro ao longo da última década.
As empresas deixaram de poder financiar candidatos após decisão do Supremo Tribunal Federal em 2015. Dois anos depois, o Congresso criou o Fundo Especial de Financiamento de Campanha para destinar recursos do Orçamento às eleições.
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Desde então, o FEFC se tornou uma das principais fontes de financiamento das campanhas.
Em 2026, o fundo voltou a ter R$ 4,96 bilhões para serem distribuídos entre os partidos que participam das eleições para presidente, governador, senador e deputados federais, estaduais e distritais.
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