Política

Quarto mandato de Lula deve manter ministros e resgatar aliados

Reeleito neste domingo, o presidente Lula (PT) deve reorganizar o primeiro escalão do governo para o seu quarto mandato com a permanência de alguns de seus ministros e o retorno de outros —alguns derrotados nas urnas nestas eleições—, segundo aliados do petista.

Apesar de o segundo turno ter sido focado na virada sobre Flávio Bolsonaro (PL), as conversas sobre os ministeriáveis de Lula 4 seguiram nos bastidores. Deputados federais, membros da executiva nacional e integrantes da campanha presidencial ouvidos pela Folha indicaram oito nomes com maior probabilidade de assumir um ministério em 2027.

O vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin (PSB) é uma das maiores apostas dos petistas para comandar uma das 38 pastas da Esplanada dos Ministérios.

À frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio entre 2023 e 2026, Alckmin demonstrou desenvoltura nas negociações do tarifaço com autoridades dos Estados Unidos e é visto como um bom nome para liderar uma das pastas na área econômica.

A escolha, se confirmada, reflete uma preferência de Lula por deixar seus vices com cargos, a exemplo do que fez com José Alencar, ministro da Defesa entre 2004 e 2006, e é também uma forma de reafirmar a confiança em Alckmin, que demonstrou lealdade ao presidente durante o primeiro mandato.

O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, é apontado como o favorito para assumir a cobiçada Casa Civil, que assessora o presidente de forma direta e coordena ações de outros ministérios.

Elogiado pelo presidente por sua atuação à frente do MEC (2023–2026), Camilo se aproximou mais de Lula após a vitória do governador Elmano de Freitas (PT) no Ceará. Principal cabo eleitoral de Elmano, Camilo entrou na campanha estadual em um momento no qual o governador estava atrás de Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas.

O estado é estratégico para o partido por se tratar de um dos maiores redutos eleitorais do PT. Com a reeleição de Elmano ainda no primeiro turno, o prestígio de Camilo cresceu e o senador foi integrado ao núcleo duro da campanha presidencial no segundo turno.

Na etapa final da eleição, o senador atuou como porta-voz de Lula e o acompanhou em eventos públicos, com posição de destaque entre os aliados do presidente.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) também é visto como um nome com potencial para assumir a Casa Civil, pasta pela qual nutre interesse desde 2022. No entanto, petistas avaliam que as chances dele foram reduzidas após ter sido derrotado ao Governo de São Paulo no primeiro turno desta eleição.

Apesar do resultado, aliados do presidente avaliam que Haddad deve ocupar um cargo de prestígio no quarto mandato de Lula por ser uma pessoa da confiança do petista. Uma das opções levantadas por auxiliares do próprio Haddad é o ministério da Justiça.


A mesma avaliação se aplica à deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), outra cotada como ministra em uma pasta de prestígio também por causa da proximidade com o presidente. Gleisi deixou a Secretaria de Relações Institucionais para concorrer a uma vaga no Senado, mas não conseguiu se eleger.

Entre os nomes da confiança de Lula, os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e da Saúde, Alexandre Padilha (PT), são cogitados para seguirem à frente das respectivas pastas. Ambos deixaram de concorrer nestas eleições a pedido do próprio presidente, ações vistas por aliados de Lula como provas de lealdade.

Em situação semelhante, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), também é visto como um quadro que deve se manter no primeiro escalão do governo. A princípio ele seguiria no ministério que comanda desde 2023, mas há a possibilidade de que ele assuma a Previdência.

Segundo aliados, Lula considera que a pasta deve ficar com uma pessoa de sua confiança após o desgaste gerado pela crise dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Ministro do Planejamento e Orçamento (2026), Bruno Moretti assumiu a pasta após a saída de Simone Tebet (PSB) e conquistou Lula pelo perfil técnico, discreto e pragmático, como descreveram pessoas próximas do presidente.

Servidor de carreira desde 2004, Moretti acumula experiências também nos ministérios da Saúde e da Casa Civil e é cogitado para continuar no Planejamento ou assumir outra pasta na área econômica.

Composição

Petistas também citaram conversas com Tebet e Marina Silva (Rede), que foram ministras de Lula no mandato mais recente e deixaram os postos para concorrer ao Senado por São Paulo. Nenhuma foi eleita, e os desempenhos eleitorais têm sido citados internamente para questionar eventuais nomeações.

Diante do resultado do primeiro turno, no qual Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro por 45% a 47% dos votos válidos, conversas com outros partidos ficaram em segundo plano de lá até esta segunda rodada.

No entanto, integrantes da campanha entendem que será necessário convidar nomes de partidos de centro, como MDB, PSD, União Brasil e PP, para integrar o governo diante de um Congresso Nacional mais à direita.

Um dos nomes ventilados é o do senador Helder Barbalho (MDB-PA), que foi ministro da Pesca (2015) e também da Secretaria Nacional dos Portos (2015-2016) no governo Dilma Rousseff.

Barbalho é visto como um nome que agrada não apenas Lula, como também grandes lideranças do MDB.

Folha de São Paulo

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