Quem é Alfredo Gaspar, anunciado como vice de Flávio Bolsonaro

Depois de muito suspense, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira, 5, que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) será o candidato a vice em sua tentativa de se eleger presidente da República.
A indicação aconteceu após Flávio não conseguir selar alianças com nenhuma outra legenda. O candidato também havia dito que a vice seria uma mulher — o eleitorado feminino é um dos segmentos em que o senador tem mais dificuldade de avançar.
Apesar disso, escolheu Gaspar, acusado por parlamentares da oposição de ter cometido um estupro de vulnerável em 2024 contra uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado. As acusações foram feitas durante a CPMI do INSS, da qual o deputado foi relator, e geraram bate-boca com a oposição. Ele nega as imputações, que chamou de “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis”. Pouco depois, ele fez um exame de DNA no Laboratório de Genética Forense de Alagoas. O caso não avançou, mas o deputado disse que iria ingressar com ações por calúnia contra o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que fizeram as acusações.
Ex-aliado de Renan Filho
Alfredo Gaspar é alagoano de Maceió. Tem 55 anos, é ex-promotor, foi eleito procurador-geral de Justiça e chefiou o Ministério Público de Alagoas entre 2017 e 2020. Também foi secretário de Segurança Pública do estado durante o governo de Renan Filho (MDB), que foi ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e hoje tenta voltar ao cargo. Depois, rompeu com o grupo dos Calheiros e foi cada vez mais para a direita. Deixou o MDB, filiou-se ao União Brasil, pelo qual foi eleito, e migrou para o PL neste ano, quando assumiu o diretório estadual do partido. Ao anunciar a mudança de sigla nas redes sociais, ele disse que atendia a uma “convocação” do senador.
Lulinha
Apesar de ser novato, Gaspar tem participação ativa na Casa, onde é titular da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi relator da CPMI do INSS. Em seu relatório final, ele pediu o indiciamento de 216 pessoas — entre elas, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, apelidado de Lulinha. Segundo o documento, Lulinha teria recebido benefícios pagos por recursos vindos dos desvios de pensões e aposentadorias. A escolha de Flávio sinaliza que essas acusações devem ter destaque durante a campanha.
O relatório da CPMI foi rejeitado, após forte articulação do governo. Apesar disso, há três inquéritos na Justiça mirando o filho do presidente.
Campanha ao Senado
Gaspar era pré-candidato ao Senado e tinha boa chance de se eleger. Segundo levantamento divulgado pelo Paraná Pesquisas no início de julho, ele tinha 40,4% das intenções de voto e aparecia numericamente à frente de dois caciques de Alagoas: o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), que tinha 39,8%; e o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB), que tinha 36,4%.
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