Política

Relatório do STF identifica na rede X ameaças de fuzilamento, esquartejamento e enforcamento de ministros

Um relatório interno do STF (Supremo Tribunal Federal) identificou na rede social X, ameaças de fuzilamento, explosão, enforcamento e esquartejamento de ministros da corte. Parte das mensagens mapeadas foi escrita depois do primeiro turno das eleição, que ocorreu neste domingo (4).

Um trecho do documento foi publicado pelo ministro Flávio Dino nesta sexta-feira (9) no Instagram. Na postagem, o ministro escreveu que “o ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência”. O STF não divulgou o relatório completo por motivos de segurança.

Horas mais tarde, o presidente da corte, Edson Fachin, anunciou ter tomado medidas por meio da Secretaria de Polícia Judicial do tribunal. “O STF permanece atento à segurança de seus ministros e em articulação com os órgãos competentes”, disse, por meio de nota.

Fachin afirmou ter encaminhado à Polícia Federal avaliação técnica de segurança relativa às ameaças identificadas contra Dino, para conhecimento e adoção das providências adequadas.

O levantamento cita posts como “primeiro a ser fuzilado…Flávio Dino, por ter proibido o acesso às armas” e “[vamos] invadir o STF e fazer com [Alexandre de] Moraes, Dino e [Cristiano] Zanin igual fizeram com Tiradentes, cabecinha em praça pública”.

Outra publicação, feita na madrugada desta terça-feira (6), cita expressamente o contexto eleitoral: “Dino é carta marcada pelo que fez agora no período de eleição e também por ter travado as emendas parlamentares para ajudar [o presidente] Lula. Traiu o Legislativo e vai pagar com sangue”.

Segundo o documento elaborado pela Secretaria de Polícia Judicial do STF, “o X concentra o maior volume e a maior proporção de publicações hostis” contra o Supremo e seus ministros. No trecho do relatório publicado por Dino, não há menção a outras plataformas digitais.

O ministro disse que as ameaças não vão alterar em nada a sua atuação profissional. “Nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou”, afirmou, salientando que nunca respondeu a um único processo criminal em 37 anos como servidor público.

“Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões.”

O ministro seguiu: “Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”.


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Folha de São Paulo

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