Rodada do Brasileiro tem coleção de broncas contra arbitragem, diretoria e até campo de treinamento

Sobraram para arbitragem, dirigentes, contratações e até campo de treinamento as broncas dos treinadores e jogadores depois das partidas do fim de semana válidos pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. E as reclamações não vieram só dos derrotados.
PALMEIRAS
No Palmeiras, vice-líder do campeonato, por exemplo, o técnico Abel Ferreira aproveitou a vitória por 4 a 1 sobre o Corinthians, no domingo (11), para criticar quem pediu as vendas dos argentinos Giay e Flaco López. E até cobrar a torcida alviverde.
“Se fosse seguir o que dizem, teria mandado o Giay e o López embora após um mês. Podem ter certeza, jogadores que eu não vejo que têm futuro não ficam no Palmeiras. Prefiro contratar um jogador inicialmente mais fraco tecnicamente, mais fraco de leitura de jogo, mas com compromisso de equipe e caráter, como é o caso de Giay”, disse.
“Sabemos o que significa jogar contra o Corinthians, mas queremos esta energia da torcida em todos os jogos”, acrescentou o treinador português.
SÃO PAULO
No São Paulo, Dorival Júnior aproveitou os 2 a 1 sobre o Vitória, na noite de sábado (10), e o respiro na luta contra a queda para cobrar melhorias dentro do centro de treinamento.
“Temos três campos e nenhum deles em condições de estarmos em cima desse campo. Estamos improvisando para dar sequência aos treinos. Na minha opinião, vêm acontecendo algumas lesões até em relação a isso, o que vem sobrecarregando o trabalho. Pisos muito duros, outros muito molhados, alguns jogadores perdendo aceleração, frenagem”, disse o técnico são-paulino.
Com 39 pontos, o time tricolor abriu sete de vantagem sobre a zona de rebaixamento.
CORINTHIANS
O zagueiro Gabriel Paulista deu entrevista e reclamou diretamente da postura da direção corintiana depois da goleada sofrida para o Palmeiras.
Com o resultado, o Corinthians acumulou oito derrotas seguidas e estacionou nos 32 pontos. Só não entrou na zona de rebaixamento porque tem mais vitórias do que o Internacional, que tem a mesma pontuação.
“Em todos os clubes em que passei por esta situação [luta contra a queda], a diretoria sempre protegeu os atletas, dava a vida para proteger nós jogadores, e aqui no Corinthians eu não vejo nenhuma proteção. Quem dá a cara e a vida somos nós os jogadores. Temos que respeitar o Corinthians, mas muita gente no Corinthians não sabe o que significa isso, e eu sei bem o que significa isso”, afirmou.
FLUMINENSE
O lateral Samuel Xavier não poupou o vocabulário para criticar a arbitragem no clássico em que o Fluminense perdeu por 1 a 0 para o Flamengo, no Maracanã, no domingo. A derrota fez o tricolor carioca continuar com 51 pontos. O Flamengo lidera, com 64.
“O jogo foi definido em um lance. Acho que foi bem nítido na TV, todo o mundo viu que era para expulsar o Pulgar em cima do Castillo. O pior de tudo é que ele [árbitro] falou que o Pulgar pisou nele [Castillo] sem querer no chão, mas o lance é nítido. Se a gente estivesse com um a mais desde o primeiro tempo, seria um jogo totalmente diferente”, disse no final da partida.
“Nós estamos brigando também pelo título, mas agora fica difícil. Quando chega um terceiro time para brigar com Palmeiras e Flamengo, parece que todo o mundo fica, com todo respeito, desculpa a palavra, cagado. Não quer que o Fluminense chegue, o Cruzeiro, o Red Bull… Não quer que chegue ninguém, só os dois. Dá vontade de fazer o quê? Trazer aqueles árbitros da Premier League que apitaram o Mundial, porque os caras são bons, não têm medo de dar vermelho, não pipocam.”
GRÊMIO
Renato Gaúcho foi outro que reclamou do VAR, que segundo ele não deu um pênalti para o Grêmio no empate por 1 a 1 com o Internacional na Arena do Grêmio. O técnico gremista, que chegou há três rodadas substituindo o português Luís Castro, aproveitou ainda para criticar quem montou o atual elenco tricolor.
O Grêmio está na 18ª posição, com 31 pontos, e não vence há seis partidas no Brasileiro.
“Parem de criticar só o treinador, cada um tem sua parcela de culpa. Se vou fazer um churrasco, sei que qual carne que vou comprar, qual cerveja que vou comprar. Eu não posso chegar lá, botar tudo no carrinho e levar. Não sei o que estou levando”, disse, referindo-se às contratações feitas pelo clube ao longo do ano, mas sem citar nomes.
“Você não frequenta o vestiário, mas você chega e tem dois, três falando uma língua, outros três, quatro falando outra língua, no outro canto quatro, cinco falando outra língua. Até os caras se entenderem… Não é porque a CBF liberou xis estrangeiros que tem que trazer estrangeiro de tudo que é lado de qualquer jeito. Você traz o estrangeiro, que nem é o culpado. Até o estrangeiro se adaptar ao futebol brasileiro, até ele conhecer os companheiros dele, já se passaram cinco, seis meses. Aí tem que chegar um treinador com varinha mágica e pronto?”
Esporte / Folha de São Paulo



