Sala de apuração do TSE tem acesso restrito e 150 funcionários monitorando ‘cérebro’ da contagem de votos

A sala no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) onde serão apurados os votos das eleições de 2026 tem regras rígidas para acesso e deve abrigar cerca de 150 funcionários no primeiro e no segundo turno, que serão realizados neste domingo (4) e, se houver necessidade, em 25 de outubro.
O local foi descrito pelo secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, como o “cérebro da operação” de totalização dos votos depositados pelos eleitores. Ele guiou neste sábado (3) um grupo de jornalistas em uma visita, da qual a Folha participou.
O centro de totalização fica no edifício-sede da corte, em Brasília. O acesso é feito em grupos pequenos, com menos de dez pessoas, sempre acompanhados por alguém do tribunal. Em 2022, o espaço foi alvo de teorias da conspiração do então presidente Jair Bolsonaro (PL) para atacar o processo eleitoral.
No início desta tarde, o ambiente na sala do TSE era de pouca movimentação e ainda estava esvaziado, mas já contava com alguns servidores posicionados em suas máquinas. A tendência, segundo Júlio Valente, é que os trabalhos se intensifiquem no dia da votação.
O cálculo da totalização dos votos é feito de forma automática pelo sistema eletrônico, que permite divulgar atualizações do resultado parcial depois que as urnas são fechadas. Em todo país, a votação começa às 8h e encerra às 17h (horário de Brasília). O resultado costuma ser confimado na mesma noite.
Não há participação humana na contagem e na totalização dos votos.
Trabalham no local funcionários concursados e também terceirizados. De lá, eles vão acompanhar o recebimento e o processamento dos boletins de urnas que são enviados de todo o país, além de monitorar o desempenho dos sistemas eletrônicos e prestar suporte aos equipamentos.
Há equipes de diferentes áreas, incluindo pessoas focadas em cibersegurança. Os servidores também são os responsáveis por outras funções técnicas, como supervisionar o desempenho do datacenter do TSE e de sistemas para o funcionamento do tribunal e da Justiça Eleitoral.
Na sala “cérebro” do TSE, o trabalho principal é receber os arquivos com os votos apurados pelas urnas, totalizá-los por meio dos equipamentos da corte e, em seguida, fazer a divulgação das parciais. Esses dados são enviados pelas zonas eleitorais aos tribunais regionais, que repassam a Brasília.
Representantes de partidos, de entidades fiscalizadores e observadores internacionais podem visitar a seção de totalização da corte tanto neste sábado como no domingo quantas vezes quiserem. Todos que vão entrar no local precisam ser identificados e assinar um termo de compromisso.
No documento, a pessoa se compromete com algumas regras, como manter o silêncio no ambiente –algo que o secretário de Informação classificou como essencial para as atividades– e não falar diretamente com os técnicos que estão trabalhando.
É necessário ainda guardar celular, câmeras, relógios e outros pertencentes pessoais eletrônicos para evitar qualquer tipo de gravação no local. A visita dura cerca de 15 minutos.
Em 2022, o então presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, abriu e fez uma visita guiada ao local para rebater a alegação de que existiria uma “sala secreta” no tribunal.
“Exatamente para mostrar o que é óvbio, mas é sempre é importante atuar com transparência, com lealdade a todos aqueles que fazem esse processo eleitoral para demonstrar que é uma sala, como vocês puderam ver, aberta, clara, não é? Não é nem sala secreta, nem sala escura”, declarou na ocasião.
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Folha de São Paulo



